Mortandade de peixes em afluente importante do Rio São Francisco preocupa pescadores e moradores


Desde o último sábado, 6 de setembro, pescadores, moradores e autoridades ambientais estão preocupados com uma grande mortandade de peixes no rio Paraopeba, um dos principais afluentes da bacia do São Francisco e fundamental para os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

A situação vem registrando aumento do número de peixes mortos ao longo do trecho entre Betim, Esmeraldas e Juatuba, especialmente na região próxima à foz do Rio Betim.

As primeiras denúncias apontam para uma possível contaminação da água por algum produto químico altamente tóxico lançado no rio durante a madrugada de sexta (5) para sábado (6). O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, Heleno Maia, informou que já foram coletadas mais de 4 mil carcaças de peixes, incluindo espécies consideradas resistentes a poluentes, como a piranha, além de animais ameaçados de extinção, como o pacamã e o surubim.



Equipes do Comitê da Bacia (CBH Paraopeba), da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF) estão em campo para recolher amostras de água, sedimentos e peixes para análise laboratorial.

Os resultados, que devem sair em até dez dias, serão fundamentais para apontar a origem da toxicidade e possíveis responsáveis.

Impactos Ambientais e Comunitários

A mortandade preocupa não só pela perda da biodiversidade aquática, mas também pelo potencial impacto no abastecimento e na saúde das comunidades ribeirinhas que dependem do rio Paraopeba para seu sustento.

A pesca, já proibida desde o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho, é atividade importante para a economia local, e eventos recorrentes como este reforçam a vulnerabilidade do ecossistema.

Vídeos e imagens compartilhados por moradores mostram grandes cardumes de peixes mortos acumulados às margens do rio, cenário que tem causado revolta e medo entre a população. A Prefeitura de Esmeraldas, um dos municípios atingidos, divulgou nota afirmando que, junto a outros órgãos, monitora a situação e busca uma solução rápida para o problema.

Rio ainda sofre com desastre de Brumadinho

Este episódio reacende a discussão sobre a lenta recuperação ambiental da bacia do Paraopeba desde o desastre de Brumadinho em 2019, que ainda segue com desafios para a remoção dos rejeitos e a restauração dos habitats naturais. Em 2024 e 2025, estudos técnicos apontaram a presença de metais pesados e materiais tóxicos nas águas e peixes do rio, o que compromete o equilíbrio do ecossistema e a saúde pública.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já acompanham a investigação, com pedidos de esclarecimentos à mineradora Vale e às administrações municipais. Sanções legais aguardam os responsáveis, caso seja comprovado o lançamento irregular de contaminantes.

Fonte: Agência Sertão

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