Hipocrisia é se dizer religioso, falar em Deus toda hora e desejar mal ao próximo



(*) Taciano Medrado

Durante a  semana de "Justiçamento" do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo quarteto da inquisição do STF  eu pude ver muitas máscaras caírem ao chão. 

Diariamente recebo mensagens pelo Whats app de vários contatos e alguns deles sempre enviam mensagens religiosas em nome de Deus e bla, bla, bla... Após o veredito condenando Bolsonaro essas mesmas pessoas começaram a fazer comentários , do tipo : "bem feito, tomara que ele e familia dele apodreçam na cadeia". " todo castigo  para genocida é pouco", etc....

Daí eu fiquei matutando, qual era o verdadeiro caráter dessas pessoas e se eles mereceriam continuar fazendo parte das minha redes sociais e concluir que não! por um simples e fundamentado motivo - os meus valores são outros diferentes dessas pessoas. Sempre declarei abertamente não ser um fervoroso religioso, mas respeito os mandamentos da Lei de um supremo chamado Deus. 

“Hipocrisia é se dizer religioso, falar em Deus toda hora e desejar mal ao próximo.” Essa frase resume bem o retrato de uma parte da nossa sociedade — e, em especial, da política nacional. Nos palanques, nas câmeras de televisão e nas redes sociais, não faltam os que ostentam crucifixos, citam versículos e se apresentam como “enviados divinos”. Mas, por trás do discurso messiânico, o que se esconde é a velha política do ódio, da intolerância e do interesse próprio.

É fácil clamar o nome de Deus quando isso rende votos. É conveniente usar a fé como escudo para manipular consciências e justificar ataques contra adversários. A retórica religiosa vira ferramenta de guerra política, enquanto a prática cristã de amar ao próximo é deixada de lado.

A sociedade assiste a esse espetáculo hipócrita: políticos e formadores de opinião que falam em salvação, mas pregam a exclusão; que se dizem defensores da família, mas agem contra a dignidade das pessoas; que invocam Deus, mas tramam vingança.

No fundo, não é fé, é marketing. Não é espiritualidade, é estratégia eleitoral. O que se vende é uma religião de conveniência, onde o púlpito se confunde com o palanque e onde a moralidade só vale quando serve aos próprios interesses.

No Brasil de hoje, a maior heresia não está na boca do povo, mas na hipocrisia daqueles que usam o nome de Deus  em defesa de ideologias político-partidárias 

(*) Professor e psicopedagogo

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