Acima prédio da Filarmônica Sociedade 28 de Setembro de Juazeiro - Ba em deterioração . Abaixo a carteira de sócio remido do professor Taciano Medrado datada do ano de 1987
(*) Taciano Medrado
Nessa quinta-feira (25) recebi uma notícia que alegrou o meu coração e de milhares de juazeirenses: a Prefeitura de Juazeiro anunciou que nos próximos dias irá iniciar a reforma do centenário prédio da Sociedade 28 de Setembro, um dos mais importantes patrimônios culturais do município.
De acordo com o anúncio, o espaço será totalmente restaurado, com preservação de suas características originais, e passará a ser utilizado para o desenvolvimento de atividades na área da cultura, atendendo a um anseio antigo da comunidade juazeirense.
Eu, particularmente, tenho uma história com a Sociedade 28 de Setembro, pois foi no seu espaço que realizei a festa de confraternização do meu casamento no dia 03 de abril de 1987. Por isso, não consigo olhar para aquela imponente construção sem me lembrar da alegria e do simbolismo que ela carrega. Em 1987, me tornei sócio remido da Sociedade 28 de setembro, conforme copia da minha carteira societária que guardo com muito carinho até hoje.
Juazeiro é uma cidade marcada por tradições, memórias e símbolos que atravessam gerações. Entre eles, a Sociedade 28 de Setembro ocupa um lugar especial na história cultural e social do nosso município. Muito além de suas paredes físicas, a instituição sempre representou um espaço de encontros, de celebração da identidade juazeirense e de resistência cultural diante do tempo que insiste em apagar nossas raízes.
Fundada em um contexto histórico que já carrega no próprio nome a lembrança da Lei do Ventre Livre (28 de setembro de 1871), a Sociedade se tornou um ponto de convergência entre arte, música, convivência social e valorização da comunidade negra. Não se trata apenas de um clube, mas de um símbolo de emancipação, de luta e de afirmação social. Cada festa realizada, cada baile de carnaval, cada encontro entre famílias no salão da 28 deixou marcas que vão além da diversão: são fragmentos de uma memória coletiva que ajudou a moldar a vida cultural de Juazeiro.
Abandonado por várias gestões, o prédio da 28 de Setembro, que possui mais de 128 anos de história, vinha apresentando um quadro grave de deterioração. Reportagens recentes mostraram infiltrações, rachaduras, danos na cobertura e risco de desabamento, o que levou a Defesa Civil a interditar parte da área.
Em 2022, o Ministério Público ingressou com ação civil pública contra o Município, cobrando medidas emergenciais de conservação e a elaboração de um projeto de restauração. A decisão judicial determinou que a Prefeitura adotasse providências imediatas, de modo a preservar o bem histórico.
Hoje, em tempos de tanta modernidade digital e de mudanças rápidas nos modos de viver, a permanência da Sociedade 28 de Setembro é um desafio e, ao mesmo tempo, uma necessidade. O patrimônio não é apenas feito de prédios históricos ou monumentos de pedra; ele é feito também de espaços vivos, pulsantes, onde as pessoas se reconhecem, se encontram e se projetam como parte de uma história maior.
Por isso, a notícia da reforma reacende em nós a esperança de ver a Sociedade 28 de Setembro ressurgir com a força de suas tradições, voltando a ocupar o lugar de destaque que sempre mereceu no coração dos juazeirenses. Que não seja apenas uma obra de engenharia, mas um gesto de respeito à memória, à cultura e à identidade de um povo.
A Sociedade 28 de Setembro é mais do que um clube: é um patrimônio da cidade, um tesouro de memória, cultura e resistê
Que permaneça viva, não apenas como lembrança nostálgica, mas como realidade presente e ativa na vida dos juazeirenses.
(*) Professor e ex-sócio remido da 28 de Setembro
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