(*) Taciano Medrado
Mais uma vez apresento aos leitores(as) um texto opinativo, que pode parecer polêmico, mas na verdade, para mim, é a expressão pura da realidade.
Como já disse inúmeras vezes, não sou um religioso e tampouco sou adepto da religiosidade, mas não sou ateu. O mínimo que posso ser é agnóstico. E aqui vale a diferença: o ateu afirma categoricamente que Deus não existe; já o agnóstico entende que não há provas suficientes para afirmar ou negar. Em outras palavras, o ateu fecha a porta; o agnóstico apenas admite que não tem a chave.
Essa postura, aliás, também serve para a vida social. Vivemos em uma sociedade obcecada pelas aparências, onde o aperto de mão virou moeda social e o sorriso forçado, uma obrigação diplomática. Não cumprimentar um desafeto é quase tratado como crime de lesa-majestade, um escândalo digno de cochichos venenosos: “Olha que deselegante, passou sem nem dar bom dia!”. Mas sejamos honestos: cumprimentar quem já lhe deu as costas não é educação — é teatro de quinta categoria.
Quantas vezes vemos isso na política? Deputados que se insultam em plenário e, minutos depois, posam juntos para as câmeras, sorrindo como velhos camaradas. A cena se repete também no ambiente de trabalho: colegas que disputam espaço, puxam tapete e, no corredor, trocam “bom dia” como se fossem irmãos de fé. E nem precisamos falar das redes sociais, onde desafetos juramentados se “curtem” em público, para que todos acreditem na farsa de uma harmonia inexistente.
Deixar de cumprimentar, nesse contexto, não é grosseria: é autocuidado. É uma forma de dizer silenciosamente: “Minha sanidade vale mais do que sua aprovação social”. Porque fingir cordialidade com quem já lhe apunhalou é o mesmo que se sentar à mesa com quem envenenou sua comida, só para não passar por mal-educado.
Ironia das ironias, a sociedade prefere a mentira polida à verdade desconfortável. Acha feio o desprezo silencioso, mas aplaude o cinismo educado. Pois eu afirmo: nada é mais elegante do que a sinceridade. E, às vezes, a forma mais refinada de dizer tudo é não dizer absolutamente nada.
Ja deixei alguns com mão estirada por que mereciam. E se acharem que ao agir foi grosseria, paciência: melhor ser taxado de mal-educado do que ser promovido a idiota cordial.
(*) Professor e Psicopedagogo
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