Sala do STF onde ocorre o julgamento do núcleo 1 da trama golpista, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, em 3 de setembro de 2025© EVARISTO SA
A absolvição de Jair Bolsonaro (PL) é "imperiosa", disse, nesta quarta-feira (3), seu advogado, Paulo Cunha Bueno, na última intervenção da defesa antes de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se o ex-presidente é culpado de tramar um golpe de Estado.O STF dará seu veredicto na próxima semana no julgamento contra Bolsonaro, acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de arquitetar um plano para se manter no poder após perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"A absolvição é absolutamente imperiosa para que não tenhamos nossa versão do caso Dreyffus", afirmou o advogado perante os ministros do STF.
Ele fez menção ao escândalo do início do século XX, na França, que entrou para a história como símbolo de parcialidade judicial.
Enquanto o julgamento é realizado, no Congresso aceleram-se as negociações para incluir a votação de uma anistia na agenda parlamentar, tendo Bolsonaro como eventual beneficiário. 'Sem provas' -
O STF retomou as sessões nesta quarta-feira para concluir o julgamento contra o ex-presidente Bolsonaro (2019-2022), que está preso preventivamente em sua residência em Brasília desde o início de agosto.
Os magistrados voltarão a se reunir na terça, na quarta e na sexta-feira, quando se espera que deem o veredicto.
Segundo a PGR, a suposta trama golpista incluía um decreto de estado de sítio e um plano para assassinar Lula, seu vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.
O plano não teria avançado devido à falta de apoio da cúpula militar.
A acusação também aponta Bolsonaro como suposto instigador dos atos em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de seus apoiadores vandalizaram as sedes dos Três Poderes em Brasília para tentar derrubar Lula, empossado uma semana antes.
Bolsonaro, de 70 anos, declara-se inocente e alega ser vítima de perseguição política.
Celso Vilardi, outro advogado de sua equipe de defesa, disse que "não há uma única prova que atrele o presidente" ao plano de assassinato de autoridades e aos atos de 8 de janeiro.
- Contra 'pressões' -
Inelegível até 2030, o ex-presidente pode pegar até 43 anos de prisão.
Na terça-feira, Moraes garantiu que o tribunal ignorará "pressões internas ou externas" ao proferir seu veredicto.
Suas declarações ocorrem em um contexto de crise diplomática com os Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, impôs tarifas punitivas às exportações brasileiras em 6 de agosto pelo que chamou de "caça às bruxas" contra Bolsonaro, seu aliado.
Washington também impôs sanções financeiras a Moraes e outras autoridades brasileiras.
"Tudo isso não passa de um teatro grosseiro para exterminar um adversário político", escreveu o deputado federal e filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que promove uma intensa campanha em Washington em favor do pai.Em caso de condenação, a defesa terá até cinco dias para apresentar um recurso de esclarecimento ou revisão, explicou à AFP Thiago Bottino, professor de direito penal da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Se existirem recursos de qualquer tipo, até que sejam resolvidos, Bolsonaro não pode ir para a prisão, segundo o especialista.
- 'Anistia ampla, geral e irrestrita' -
"Cada vez com mais força e mais apoio, vamos trabalhar pela anistia ampla, geral e irrestrita no Congresso Nacional", disse a jornalistas, na terça-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente.
O bolsonarismo impulsiona há meses uma anistia para seu líder e centenas de seus apoiadores condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Lindbergh Farias, líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, admitiu esta semana que o movimento pela anistia cresceu após uma visita a Brasília do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para colocar o tema em discussão.
Mas disse à AFP que está confiante que o projeto de anistia não será bem-sucedido: "O presidente Lula vai vetar e o STF vai derrubar."
Tarcísio de Freitas foi ministro de Bolsonaro e aparece como seu possível sucessor para as eleições de 2026.
Cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidir se incluirá uma eventual votação da anistia na agenda do Congresso.
Outras duas forças centristas que apoiam a anistia, União Brasil e Progressistas, anunciaram que deixarão os ministérios que ocupam no governo Lula.
AFP (rsr-ll-ffb/app/mel/jc/aa/mvv/am/rpr)
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