TRAVESSIA URBANA, UM TIRO NO PÉ

(*) João Chaves

Não sei se existe esse termo LESA MUNICÍPIO, tomando como analogia o termo LESA PÁTRIA. Vamos aos fatos e partir para análise das consequências advindas desse desastre chamado TRAVESSIA URBANA. Certo é que a primeira consequência é transformadora, trazendo nossa cidade à sua origem: de Passagem do Juazeiro, para agora assumir a condição de Passagem de Petrolina. Porque é isso o que seremos, a curto, médio e longo prazo.

Uma falha na visão urbanística de tamanha gravidade foi posta em prática pelo poder público municipal ao levar a cabo essa monstruosidade chamada TRAVESSIA URBANA. Todos os princípios urbanísticos preconizam a retirada do trânsito pesado do centro das cidades, e essa obra é um erro gravíssimo — faz justamente o contrário. Portanto, é preciso considerar essa famigerada TRAVESSIA URBANA como um autêntico TIRO NO PÉ.

Outra consequência é o desemprego causado por essa obra, assassinando o comércio no entorno e proximidades da Lagoa de Calu — cartão postal da cidade. Em recente visita à minha querida cidade, observei o “cemitério” em que foi transformado um dos mais promissores focos de atividade comercial, setor historicamente gerador de empregos.

Por último, a visível agressão ao meio ambiente: a paisagem harmoniosa da lagoa e a vegetação naquele entorno foram feridas com a construção de um templo de concreto no trajeto — um verdadeiro desastre. Já dizia Caetano Veloso: “a força da grana que ergue e destrói coisas belas” — e também MONSTRENGOS. Uma cidade carente de empregos dá-se ao luxo de decepá-los, transferindo-os para Petrolina? Só o tempo dirá.

Quando fui candidato a deputado estadual, na minha plataforma constava a luta para construção de uma ponte entre Juazeiro e Petrolina, em local a ser definido por estudos técnicos. Naquela ocasião, os pessimistas alardeavam como empecilho o alto custo que envolveria a construção de uma nova ponte.

Vamos aos fatos: de lá para cá, salvo lapso de memória, já foram construídas três pontes — uma ligando Bahia e Alagoas, outra em Bom Jesus da Lapa e, finalmente, a de Xique-Xique.

Conclusão: na égide da aprovação das emendas parlamentares IMPOSITIVAS, o que nos falta é a nossa REPRESENTAÇÃO FEDERAL para colocar no orçamento da União a devida alocação de recursos, viabilizando a construção dessa tão sonhada e necessária ponte.

Quando escrevi um artigo sobre a necessidade de nossa REPRESENTAÇÃO FEDERAL JÁ, em conversa com amigos blogueiros, eles me perguntaram: “Você identifica algum doido para enfrentar esse desafio?” Parece que os doidos estão aparecendo.

(*) Médico


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