(*) Taciano Medrado
O Tesouro Nacional falou. E não foi para dar boas notícias. Segundo o mais recente Relatório de Projeções Fiscais, a dívida pública brasileira está em trajetória de foguete – mas sem direito a pouso suave. A previsão agora é atingir 84,3% do PIB em 2028. Na estimativa anterior, seria “apenas” 81,8% e em 2027. Ou seja, o abismo ficou mais fundo e mais próximo.
Enquanto o Palácio do Planalto insiste na retórica de que “gastar é investir”, os números mostram que a conta não fecha — e que, no ritmo atual, não vai fechar nem com reza brava. Em 2024, a dívida era 76,5% do PIB. Em 2025, será 79%. “Fora de controle”, nas palavras do diretor do Ibmec, Reginaldo Nogueira, que ainda alerta: estamos chegando a um ponto em que reverter essa trajetória será impossível. Traduzindo: o Brasil está ficando sem tempo… e sem dinheiro.
Com juros reais de 9,76% — os segundos mais altos do planeta, atrás apenas da Turquia — e uma dívida crescente, não é surpresa que a Moody’s tenha rebaixado a perspectiva do país. Segundo a agência, o problema é simples: governo gasta demais, reforma de menos e transmite zero confiança na capacidade de pagar a conta.
Para piorar, a Instituição Fiscal Independente do Senado projeta um cenário de filme de terror para 2035: dívida a 124,9% do PIB e, em 2027, 100% do orçamento engolido por despesas obrigatórias. Sabe o que sobra para investimentos, saúde, educação e infraestrutura? Nada. Nem um centavo.
E, como se não bastasse, agentes do mercado já chamam as regras fiscais do governo de “insustentáveis”. É como se tentássemos tapar um buraco no casco de um navio com um band-aid. Só não vê quem não quer — ou quem prefere posar para fotos sorrindo em vez de encarar a realidade.
Enquanto isso, a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), descumprindo a Lei de Acesso à Informação, simplesmente ignorou pedidos da imprensa sobre os custos do evento “Brasil, Criativo por Natureza” — um desfile de moda idealizado pela primeira-dama Janja da Silva, realizado no Café de l’Homme, em Paris.
O portal Poder360 protocolou em 1º de julho um pedido detalhado sobre os gastos do desfile e do Fórum Econômico Brasil-França. Pela lei, a resposta deveria ter sido dada até 21 de julho ou, no mínimo, o prazo prorrogado. Mas a Apex optou por algo mais prático: não responder nada.
Entre as informações solicitadas estavam o valor total investido, a lista de convidados pagos com dinheiro público e todos os custos de transporte, hospedagem, alimentação, contratos e notas fiscais. Ou seja: informações básicas sobre como o dinheiro do contribuinte foi gasto para bancar glamour e conexões internacionais — mas que, aparentemente, o governo prefere manter em segredo.
A relação dívida/PIB é o termômetro da saúde fiscal de um país. E o nosso já está marcando febre alta, sem antitérmico à vista. Mas o governo insiste em dizer que está tudo bem, como um médico que olha para um paciente em UTI e diz: “É só uma gripezinha fiscal”.
A verdade é dura: o Brasil está gastando como um milionário falido, confiando que o cheque especial — também conhecido como contribuinte — vai cobrir tudo. Só que, dessa vez, a fatura chega mais cedo do que o esperado. E quando ela chegar, não haverá discurso, live ou desfile em Paris capaz de pagar a conta.
(*) Professor e analista político
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