Não chorem no meu velório.

 


(*) Teobaldo Pedro

Quando alguém morre, o velório se enche de gente, muitos distantes ou até desconhecidos, falando discursos, elogiando, pedindo perdão e soltando palavras emocionadas. Todo mundo parece se tornar santo ou anjo de repente, mas só depois que a vida acabou. Choro, homenagens e mensagens bonitas se multiplicam mesmo quando, em vida, as relações eram superficiais ou marcadas pelo distanciamento. Essa reação tardia revela como a humanidade tende a valorizar o simbólico apenas diante da perda.

Não seria melhor viver essas manifestações em vida? Conversar, resolver diferenças, harmonizar relacionamentos e buscar a paz enquanto há tempo. A Bíblia nos lembra: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (Salmo 133:1). Filósofos como Aristóteles e Kant destacam a importância da ética das ações e da prática das virtudes, lembrando-nos de que o valor das relações se constrói no cotidiano e não apenas no espetáculo do luto.

Todos nós somos racionais, mas também profundamente emocionais. Freud e Jung mostraram que tensões psicológicas e emoções reprimidas influenciam nosso comportamento e nossas relações. Todo ser humano já perdeu a paciência ou ainda vai perder pelo menos uma vez ou duas, seja por fatores bioquímicos, estresse ou pressões da vida. 

Reconhecer essa fragilidade ajuda a compreender a necessidade de amor, perdão e cuidado enquanto ainda podemos agir. A sociologia, com Émile Durkheim, observa que rituais e cerimônias refletem normas sociais e tentativas de pertencimento, frequentemente tardias, mas profundamente humanas.

Valorizar o relacionamento de forma autêntica e presente transforma a vida e evita arrependimentos. A teologia, inspirada em Agostinho e nos pais da Igreja, interpreta essas atitudes como um chamado à reconciliação e à prática do amor fraternal. 

Como nos ensina a Escritura, “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:10). Viver esses princípios agora dá sentido à existência e torna nossas relações verdadeiramente significativas antes que seja tarde demais.


(*) Pastor, teólogo, educador, filósofo e psicanalista. Juazeiro Bahia


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