EDITORIAL DE SÁBADO: Um magistrado e a síndrome do “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”

 


(*) Taciano Medrado

Vivemos tempos estranhos — ou talvez apenas mais escancarados. Na república dos discursos bem ensaiados, sobram exemplos de autoridades que adoram subir no púlpito da moralidade para ensinar à sociedade o que é certo. Mas, quando a cortina fecha e o público vai embora, fazem exatamente o oposto.

Em um certo país, de um certo continente sul-americano, as atitudes de um magistrado da Suprema Corte chamam a atenção do mundo. Não bastassem as decisões controversas, carregadas de parcialidades e uma aproximação — digamos — suspeita com o mandatário da nação, agora ele resolveu inovar: substituiu a caneta pela mão... ou melhor, por um gesto. E não foi qualquer gesto, foi o famoso "dedo maior de todos", aquele universalmente conhecido como símbolo do desprezo.

Sim, senhoras e senhores, o guardião da Constituição, o paladino da democracia, o homem da toga, resolveu expressar-se com o que há de mais nobre em sua retórica: um gesto obsceno em público. Um gesto que fere não apenas o decoro do cargo, mas também o bom senso e o respeito que ele tanto exige dos outros.

Mas acreditem, ainda tem quem o defenda. Justificam, relativizam, dizem que foi "espontâneo" ou "emocional". Agora, imaginem se qualquer cidadão desse mesmo país ousasse fazer o mesmo gesto, direcionado a esse magistrado? Em cinco minutos, a ordem de prisão estaria pronta, com a Polícia Federal batendo na porta do infeliz às cinco da manhã — e isso se não fosse acusado de "atentar contra a democracia" no pacote completo.

A síndrome do “faça o que digo, mas não faça o que eu faço” virou epidemia entre autoridades togadas. O problema é que essa doença, embora não conste nos manuais de medicina, tem efeitos colaterais graves na democracia: descrença na justiça, cinismo coletivo e um perigoso senso de impunidade.

Enquanto o cidadão comum é cobrado por cada gesto, cada fala e cada ato, os intocáveis seguem se comportando como reis absolutistas de uma monarquia que juram combater. A justiça, quando praticada com dois pesos e duas medidas, deixa de ser justiça. Vira farsa. E como toda boa farsa, pode até divertir no começo, mas enjoa — e revolta — no final.

Por aqui, seguimos de olhos abertos. Porque se os que julgam não se julgam, quem, afinal, está acima da lei?

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(*) Professor e analista político

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