Assim caminha a humanidade

 

(*) Teobaldo Pedro de Jesus


A humanidade pode ser lida sob múltiplas lentes, mas talvez uma das mais reveladoras seja aquela que distingue os homens não pelo que dizem ser, mas pela essência que os move. Há diferentes modos de estar no mundo, e cada um carrega em si uma marca inconfundível, quase um destino. Não se trata de papéis transitórios, mas de arquétipos que nos revelam em profundidade. Ao longo da história, vemos que os homens e mulheres sempre se inclinaram para uma dessas seis formas de existir: precursores, realizadores, contempladores, oportunistas, sabotadores e indiferentes. Quem não se encontra em um, se revela em outro, e essa marca é definitiva.

Os precursores são os que caminham antes dos passos. Visionários, inquietos, solitários, lançam-se no futuro e, ao fazê-lo, carregam a humanidade consigo. Seu fardo é viver numa constante tensão: enxergam o que ainda não é, sem poder, muitas vezes, viver os frutos daquilo que imaginaram. São faróis que iluminam, ainda que raramente recebam o reconhecimento devido. Como disse Ralph Waldo Emerson: “Não vá onde o caminho pode levar; vá, em vez disso, onde não há caminho e deixe uma trilha.”

Se os precursores lançam a semente, os realizadores são os que fazem brotar a árvore. São a força da concretização, mãos que transformam ideias em matéria, ação e obra. Enquanto o visionário aponta a direção, o realizador ergue os alicerces e mostra ao mundo que o sonho é possível. A sua glória é a fidelidade à execução, pois nada lhes é mais caro do que o fruto visível do trabalho. Benjamin Franklin lembrava com precisão: “Bem feito é melhor do que bem dito.”

Os contempladores, por sua vez, vivem numa outra dimensão, a da escuta e da reflexão. Não estão apressados em construir nem em dominar, mas em compreender. São os guardiões do sentido, os que recordam à humanidade que uma vida sem reflexão é mero ruído. O olhar atento e a contemplação profunda são sua marca. Sócrates já advertia: “A vida não examinada não vale a pena ser vivida.”

No campo da astúcia imediata estão os oportunistas. Sua habilidade está em perceber ocasiões, aproveitar brechas, colher sem semear. Não os move um projeto de mundo, mas a vantagem imediata. Ética e princípio, para eles, são custos altos demais quando a chance lhes sorri. Ainda assim, são ágeis, adaptáveis e sobrevivem pelo cálculo. A máxima clássica os resume: “A fortuna favorece os audazes.”

Na contramão da edificação estão os sabotadores. Não produzem, não constroem, não semeiam: corroem. Sua obra é a ruína alheia, sua glória é o fracasso do outro. A princípio parecem fortes, mas seu poder é apenas destrutivo e não sobrevive ao tempo. Friedrich Nietzsche nos adverte contra essa sombra: “Quem luta com monstros cuide para que, ao fazê-lo, não se torne um monstro. E se olhares muito tempo para o abismo, o abismo também olha para dentro de ti.”

Por fim, há os indiferentes, aqueles que habitam o silêncio do não fazer. Não constroem nem destroem, não avançam nem impedem, simplesmente não se importam. A indiferença, porém, não é neutra: é o terreno fértil onde o mal prospera sem resistência. Edmund Burke foi certeiro ao dizer: “O único requisito para o triunfo do mal é que homens bons nada façam.”

Assim se revela a humanidade: seis rostos, seis caminhos, seis formas de existir. Cada um, no fundo, escolhe ou revela o lugar onde se encontra, e não há como habitar dois. Uns abrem trilhas, outros constroem cidades, alguns observam o sentido, muitos apenas aproveitam, alguns destroem, e tantos simplesmente deixam passar. A questão que resta, inevitável e íntima, é aquela que volta a cada homem e mulher como um espelho diante da alma: entre todos esses destinos possíveis, em qual deles você deixará inscrita a sua vida?

(*) Pastor, teólogo, educador, filósofo e psicanalista. Juazeiro Bahia


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