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(*) Taciano Medrado
Quando responder com a mesma moeda pode custar mais do que parece
O recente imbróglio diplomático envolvendo o presidente americano Donald Trump e o governo brasileiro — liderado por Lula em seu terceiro mandato — reacendeu um antigo debate sobre o verdadeiro significado da reciprocidade. Após os Estados Unidos anunciarem um tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras, a resposta do presidente Lula foi imediata: ameaçou com “reciprocidade”.
Aparentemente firme, a postura sugere força. Mas será mesmo o caminho mais inteligente e construtivo? Revidar uma atitude hostil com outra na mesma medida, como numa reação mecânica, pode satisfazer o orgulho momentaneamente, mas nem sempre promove o diálogo, a diplomacia ou o interesse real do país. E nos faz refletir: reciprocidade ou diálogo?
Na vida pessoal e na política internacional, a reciprocidade costuma ser encarada como uma equação simples — devolver o bem com o bem e o mal com o mal. É uma lógica quase instintiva, e muitas vezes celebrada como “justa”. Mas essa visão binária tende a nos aprisionar em ciclos de confronto e ressentimento.
Devolver o bem com o bem é sinal de gratidão, justiça e sabedoria. Mas retribuir o mal com o mal é, muitas vezes, apenas vingança disfarçada de justiça. E quando governos adotam essa postura, colocam em risco o equilíbrio diplomático, os interesses econômicos e o diálogo entre nações.
A resposta automática baseada em orgulho ou revide pode soar politicamente conveniente, mas nem sempre é estrategicamente eficaz. Mais do que reagir, é preciso refletir. É legítimo defender os interesses do país com firmeza — mas firmeza não é sinônimo de hostilidade. É possível ser duro nas posições sem ser destrutivo nas relações.
Como já alertava Mahatma Gandhi: “Olho por olho, e o mundo acabará cego.” A maturidade política — assim como a maturidade humana — está em romper com esse ciclo. Reciprocidade verdadeira não é apenas reagir. É escolher como reagir. É decidir se queremos copiar os erros dos outros ou trilhar um caminho mais inteligente, sensato e construtivo, o que não perece ser atributos do governo Lulopetista recheado de vinganças e perseguições sob a tutela de um judiciário cada vez mais politizado e menos imparcial.
No fim das contas, a pergunta que fica é: queremos ser espelhos do mal que nos fazem ou agentes de transformação no modo como se constrói a convivência — entre pessoas ou entre países?
(*) Professor e analista político
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