(*) Taciano Medrado
Em tempos de tensões diplomáticas e tarifações agressivas, o governo Lula 3 parece ter optado por uma postura mais cautelosa — ou submissa, dependendo do ponto de vista.
Após o anúncio das tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, o Planalto decidiu abandonar o tom altivo de semanas anteriores para adotar uma linguagem mais suave, quase suplicante, em busca de “diálogo construtivo” com os Estados Unidos.
Diante da iminente catástrofe econômica que assombra o país, o governo Lula 3 baixou o tom e ordenou que a embaixada do Brasil em Washington protocolasse uma carta junto ao governo dos Estados Unidos, nesta quarta-feira (16), pedindo a retomada do diálogo técnico sobre a suspensão das tarifas cuja previsão é de que entrem em vigor em 1º de agosto.
Para alguns especialistas em diplomacia, essa atitude demonstra a fraqueza do governo brasileiro diante do pior que está por vir. O documento foi assinado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira — ambos escalados para tentar apagar o incêndio diplomático que, de súbito, virou crise comercial.
Nesta quarta-feira (16), o vice-presidente conduziu a segunda rodada de reuniões com o setor produtivo para debater os impactos da tarifa. Alckmin afirmou que o Brasil irá explicar aos Estados Unidos os pontos citados na investigação comercial aberta pelo governo Trump contra o Brasil. O Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) abriu um processo formal para apurar se as práticas brasileiras são, ou não, consideradas desleais.
A retórica combativa que em outros tempos inflamava discursos palacianos deu lugar a apelos por entendimento mútuo e cooperação econômica. A diplomacia do “baixa o tom e pede diálogo” pode parecer pragmática — mas escancara a fragilidade de um governo que se vê sem cartas na mesa quando o jogo endurece.
Ao invés de articular uma frente multilateral ou buscar respaldo em organismos internacionais, a resposta brasileira se resumiu a um gesto tímido, quase constrangido. Uma estratégia que, convenhamos, raramente surte efeito com figuras como Trump, que veem a concessão como sinal de fraqueza — e não como gesto de boa vontade.
A pergunta que resta é: quem realmente está conduzindo o volante do Brasil diante dessa tempestade diplomática e econômica? E até quando o silêncio e o recuo serão confundidos com estratégia?
Só resta esperar o desenrolar desse imbróglio diplomático. Enquanto isso Deus proteja o povo brasileiro!
(*) Professor e analista político


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