(*) Taciano Medrado
O Brasil é, sem dúvida, um país de contrastes. Mas poucos contrastes são tão simbólicos — e gritantes — quanto o vivido atualmente no Palácio do Planalto.
De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fiel ao seu personagem de “pai dos pobres”, em mais um discurso inflamado sobre desigualdade social e fardos pesados sobre os ombros dos mais vulneráveis.
Do outro, sua esposa, a primeira-dama Janja da Silva, em um cenário bem diferente: passeando tranquilamente pelas vitrines luxuosas do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.
Segundo editorial publicado pelo site Contrafatos, Janja foi vista na tarde da última sexta-feira (4) circulando por uma das regiões mais nobres da capital fluminense. Enquanto Lula discursava durante a reunião do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), falando sobre injustiças sociais, Janja visitava lojas de biquínis e vestidos de alto padrão — e ainda distribuía autógrafos com a desenvoltura de uma celebridade.
A justificativa, segundo aliados, seria que a primeira-dama precisava de um “respiro” em meio à intensa agenda institucional. Nada mais justo, diriam alguns. Afinal, entre uma visita a ministros e um evento oficial, quem não merece um momento para renovar o guarda-roupa em um dos endereços mais caros da cidade?
O episódio, embora abafado pela imprensa oficial, não passou despercebido aos olhos atentos dos frequentadores — e tampouco da opinião pública. A imagem de Janja relaxando entre vitrines caríssimas enquanto seu marido pede mais impostos para custear políticas públicas é o retrato perfeito da dissonância entre discurso e prática. Um símbolo de um governo que fala em empatia, mas pratica o distanciamento. Que clama por justiça social, mas vive cercado de privilégios.
A narrativa de Lula de que é perseguido pelas elites e que luta contra os ricos ganha um tom caricato quando sua esposa é flagrada exatamente nos espaços mais elitizados do país. E mais: no mesmo momento em que o presidente defende o aumento do IOF — um imposto que afeta diretamente o bolso do cidadão comum — como forma de equilibrar as contas públicas. Coerência? Só no discurso.
Vivemos tempos em que a estética parece importar mais do que a ética. Em que a encenação vale mais do que a realidade. E em que um governo se apoia no marketing emocional para manter uma imagem que, cada vez mais, se distancia da vivência popular.
O casal presidencial pode até seguir sendo exaltado por parte da base militante, mas os fatos falam por si. O povo brasileiro merece mais do que discursos inflamados e aparições bem produzidas. Merece verdade, coerência e respeito com o dinheiro público.
Enquanto isso, seguimos assistindo ao teatro. Um teatro em que o povo paga o ingresso — e também o figurino.
(*) Professor e analista político
Não deixe de curtir nossa página Facebook e também Instagram para acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
Envie informações e sugestões para o TMNews do Vale pelo WhatsApp: (74)98825-2269


Postar um comentário