(*) Taciano Medrado
Ao escrever esse artigo decerto irei atingir em cheio algumas pessoas que agiram e e ainda agem com arrogância, prepotencia e desprezo por aqueles que lhes deram o bem sagrado - A vida. A esses deixo minhas desculpas mas, lamentavelmente, a verdade dói
A ingratidão filial é um dos temas mais dolorosos para aqueles que dedicam a vida à criação de seus filhos. Pais que sacrificam tempo, recursos e até mesmo abrem mão dos seus projetos e da própria felicidade em prol do bem-estar de seus filhos, mas que muitas vezes, se veem esquecidos ou desprezados na velhice. Esse fenômeno, infelizmente, não é raro e levanta um questionamento inevitável:
Qual o papel da chamada "lei do retorno" nesse cenário?
Desde tempos imemoriais, culturas diversas alertam para as consequências da ingratidão. Não sou religioso e estou muito longe disso, mas nas escrituras sagradas - a Bíblia, por exemplo, o quinto mandamento é claro: "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias sobre a terra". Esse ensinamento não se limita a um preceito religioso, mas ecoa um princípio universal de justiça e equilíbrio. Aquele que planta descaso e egoísmo pode colher solidão e abandono.
O conceito de lei do retorno, muitas vezes associado ao karma, propõe que todas as nossas ações geram consequências proporcionais. Filhos que desprezam seus pais podem, mais tarde, sentir na pele o mesmo abandono, seja por parte de seus próprios filhos, amigos ou até mesmo pela sociedade. Não são poucos os casos de pessoas que, após anos de desrespeito com seus pais, acabam experimentando arrependimento e solidão na velhice.
Mas o que leva um filho a ser ingrato?
A resposta não é simples. Muitos argumentam que a criação tem um papel fundamental. Pais que apesar de ensinarem valores como gratidão e respeito podem acabar colhendo filhos que ajam indiferentes. Não há como explicar esse fenômeno. Outros acreditam que a sociedade moderna, focada no individualismo e no imediatismo, contribui para essa frieza, incentivando as pessoas a priorizarem suas ambições e prazeres em detrimento dos laços familiares.
O fato é que a vida cobra. Muitas vezes, de maneira sutil e inesperada. Aquele que hoje vira as costas para quem lhe deu tudo pode, no futuro, se ver clamando por atenção e não encontrando ninguém disposto a oferecê-la.
A reflexão que fica é: como queremos ser lembrados? Como filhos que retribuíram amor e cuidado ou como aqueles que apenas consumiram os esforços de seus pais sem qualquer reconhecimento? A resposta a essa pergunta pode definir o tipo de legado que deixaremos e o destino que nos aguarda.
De tudo isso só há uma certeza: mesmo injustiçados, os pais são capazes de darem a vida por seus filhos, apesar do abandono e do desprezo, por parte deles.
Quem dera pudéssemos viver para a eternidade, e que a sombra assustadora da velhice não nos atormentasse.
Lembrem-se: As dívidas que temos com nossos pais, pagaremos com nossos filhos .
Como diz o cantor e compositor baiano Caetano Veloso:
ORAÇÃO DO TEMPO
És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e migo
Tempo, tempo, tempo, tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Portanto, peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Adicionar aos favoritos
Adicionar à playlist
Tamanho do texto
(Fonte: Cifra Club)
(*) Professor e Psicopedagogo
Não deixe
de curtir nossa página Facebook e também Instagram para
acompanhar mais notícias do TMNews do Vale (Blog do professor TM)
AVISO: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do TMNews do Vale (Blog do professor TM) Qualquer reclamação ou reparação é de inteira responsabilidade do comentador. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não respeitem os critérios serão excluídos sem prévio aviso.
Postar um comentário