O
partido de extrema direita francês Rassemblement National (RN, Reunião
Nacional) conquistou neste domingo (9) quase um terço dos votos nas eleições
para o Parlamento Europeu e se posiciona bem à frente da aliança centrista do
presidente Emmanuel Macron. O representante do partido ultraconservador no
pleito, o jovem Jordan Bardella, disse que as urnas mostram a vontade de
mudança do povo francês e pede que Macron organize novas eleições legislativas. As informações são do jornal RFI.
Aos
28 anos, o candidato de extrema direita Jordan Bardella, obteve entre 31,5% e
32,4% dos votos, segundo estimativas das instituições Ifop e Ipsos. O resultado
é praticamente o dobro do alcançado por Valérie Hayer, candidata do partido de
Macron, com cerca de 15,2% dos votos, que é seguida de perto pelos socialistas,
com cerca de 14% dos votos. Com o resultado, a extrema direita francesa
terá entre 29 e 30 cadeiras no Parlamento Europeu.
“Essa
mensagem clara dirigida a Emmanuel Macron e aos europeus marca a determinação
do nosso país ver a União Europeia mudar de orientação”, disse Bardella em um
discurso logo após a divulgação dos primeiros resultados.
Segundo
ele, Macron e seu partido saem do pleito enfraquecido e o presidente deve
convocar eleições legislativas antecipadas. “Nossos compatriotas exprimiram
hoje uma vontade de mudança”, martelou Bardella.
Cerca
de 370 milhões de europeus foram convocados para eleger um novo Parlamento
Europeu, em um pleito que durou vários dias e terminou neste domingo (9).
Uma possível alteração no equilíbrio político do bloco, com um aumento da
presença da extrema direita na instituição, vinha sendo sinalizada desde o início
da campanha.
Extrema
direita em segundo lugar na Alemanha
Os
resultados na França confirmaram essa previsão. Na Alemanha, país com o
maior número de eleitores do bloco, a tendência não foi muito diferente.
O
partido social-democrata (SPD), do chanceler alemão Olaf Scholz, saiu bastante
enfraquecido. Segundo as primeiras pesquisas de boca de urna divulgadas pela
imprensa local, a legenda do chefe do governo conquistou apenas 14% dos votos,
atrás dos conservadores (CDU e CSU), que ficaram em primeiro lugar com entre
29,5% e 30%. A legenda de extrema direita AfD obteve entre 16% e 16,5%, e se
posiciona no segundo lugar.
A
votação para eleger 720 membros do Parlamento Europeu foi realizada em um
contexto de preocupações econômicas e geopolíticas, em um momento em que o
bloco enfrenta grandes desafios estratégicos diante da China e dos Estados
Unidos e ainda tenta conter a intensificação da guerra na Ucrânia, que faz
fronteira com países da UE.
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