Desde
o início de maio, o Ministério da Saúde ampliou a campanha nacional de
vacinação contra a gripe para todas as pessoas acima dos 6 meses de idade.
Dessa forma, a família toda pode se proteger contra os vírus da influenza que
estão em circulação no país nesta época do ano. O diretor do Departamento do
Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Eder Gatti, explica
que a decisão da pasta aconteceu por conta da disponibilidade de doses da
vacina e pelo momento epidemiológico.
“Se
há disponibilidade de vacina no programa e o vírus da influenza, o vírus da
gripe está circulando, nós devemos ampliar o acesso das pessoas para que elas
se vacinem e diminua o risco de adoecimento de formas graves da doença — e
também diminua a circulação do vírus na comunidade.”
Eder
Gatti destaca a importância de levar a família toda para vacinar. “A vacina é
importante porque diminui o risco de infecção. Apesar de não ter uma eficácia
de 100% para proteger contra a infecção, ela diminui o risco de se infectar. A
vacina também diminui significativamente o risco de formas graves da doença e
de hospitalização. Então por isso ela é importante, ela acaba resultando na
diminuição do número de mortes pela doença.”
Segundo
o doutor André Prudente, diretor-geral do Hospital Giselda Trigueiro — unidade
pública referência no tratamento de doenças infectocontagiosas de Natal (RN) —,
mais de 80% das pessoas vacinadas contra a gripe não vão adoecer; e mesmo os
que adoecerem terão um quadro leve da doença.
“E
é importante dizer que a gripe é provocada por um vírus chamado influenza, que
é uma doença completamente diferente dos resfriados. Então, a vacina não
protege contra o resfriado. O resfriado comum é quando a pessoa está
espirrando, o nariz está obstruído, às vezes tem uma coriza, mas fora isso não
traz grandes repercussões. Já a gripe pode dar bastante febre, muita dor no
corpo e acomete o pulmão — inclusive podendo levar a agravamento e até a óbito.
Então, por isso, é importantíssimo que todo mundo se vacine contra a gripe”.
O
infectologista também ressalta a importância de pessoas que não fazem parte do
grupo prioritário tomarem a vacina contra a gripe durante a campanha de
imunização.
“Um
jovem de 20 anos pode não ter nenhuma doença associada, mas ele pode ter
contato com avô, com um tio, até mesmo o pai idoso, que tem problemas no
coração, e essa pessoa se agravar. Sem contar que os jovens fazem parte da
força de trabalho e as pessoas com gripe, gripe mais intensa, não conseguem
trabalhar, se ausentam do trabalho e isso traz impacto também para a economia”.
Vacinação
contra a gripe: antecipação da campanha
Este
ano, o Ministério da Saúde decidiu antecipar a campanha de vacinação contra a
gripe nas Regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, devido ao aumento da
circulação de vírus respiratórios no país. Até o dia 11 de maio (Semana Epidemiológica 19), a pasta
registrou 23.551 casos de hospitalização por Síndrome Respiratória Aguda Grave
(SRAG), sendo 19% associados ao vírus da influenza.
As
doses começaram a ser aplicadas no dia 25 de março. Na Região Norte, a campanha
aconteceu ainda mais cedo, entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024. A meta
do Ministério da Saúde é vacinar, pelo menos, 90% de cada um dos grupos
prioritários:
Até
22 de maio, do total de 75,8 milhões de pessoas do grupo prioritário, apenas
27,1 milhões se imunizaram contra a gripe, segundo o painel de imunizações do Ministério da Saúde, ou seja,
34,6% do público-alvo.
O
programador Maciel Júnior, de 28 anos, mora no Gama, cidade da região
administrativa do Distrito Federal — e faz parte do grupo prioritário. Ele
tomou a vacina há cerca de um mês e relata a importância de se proteger neste
momento.
“Sou
imunodeprimido, então faço parte de um grupo de risco, o que torna o acesso à
vacina até mais fácil, porque nós dos grupos prioritários temos preferência
para tomar a vacina. E também acredito que, para mim, tomar a vacina seja ainda
mais crucial. Eu acredito que é muito importante a gente se imunizar, tanto
para proteger a gente de doenças graves, como é o caso da gripe, quanto para
ajudar a reduzir a propagação do vírus e auxiliar na imunidade coletiva”.
Cleiton
Ferreira, de 44 anos, é professor do Ensino Básico na cidade de Uberlândia
(MG). Por fazer parte do grupo prioritário, ele já se imunizou, mas não deixou
de levar a esposa e os três filhos — um bebê de 1 ano, uma menina de 5 e outra
de 7 — para tomarem as doses contra a gripe.
“A
conscientização da população nesse sentido é muito importante, de saber que se
trata não só da proteção da nossa família, mas de toda a sociedade, do bairro,
da cidade, do país inteiro como um todo. É uma questão de esclarecimento da
população de que a vacinação, como estratégia coletiva, salva muitas vidas.
Aqui na minha cidade, a campanha de vacinação é bastante eficaz. Tem um aplicativo que a gente acessa e fica sabendo sobre as
campanhas; eles enviam mensagem. No caso que a gente tem um bebê, eles
acompanham a vacinação do bebê”.
Vacinação
contra a gripe: vacina trivalente
O
diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti,
explica que a vacina contra a gripe muda de composição anualmente de acordo com
os tipos de vírus influenza que são mais frequentemente observados pela
vigilância em saúde. “É uma mudança organizada pela Organização Mundial de
Saúde e acontece obedecendo a dados de vigilância, ou seja, obedecendo os vírus
que mais circulam no momento”.
O
infectologista André Prudente explica o motivo da dose ser trivalente. “A
vacina atual tem três subtipos, que são os que estão circulando no mundo
atualmente: o subtipo A H1N1, o A H3N2 e o influenza B. Então o fato dela ser
trivalente significa que protege contra esses três tipos”.
Segundo
ele, não há problema em tomar a vacina trivalente da gripe junto com
outros imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação, como o da Covid-19, por
exemplo. “Inclusive, a recomendação é fazer junto [a imunização], justamente
para não perder a oportunidade, porque é tão difícil a pessoa ir ao serviço de
saúde e tomar a vacina. Então, podem ser feitas as duas vacinas concomitantemente,
ao mesmo tempo, sem grandes problemas”.
Para
os que ficam preocupados com os efeitos colaterais, o doutor André Prudente
afirma que a vacina da gripe é uma das mais seguras possíveis. “Ela não é de
vírus vivo, então não vai dar gripe por causa da vacina. Ela pode dar uma dor
local, pode ter um pouquinho de febre, mas normalmente não mais do que isso”.
Para
se vacinar, procure um posto de vacinação mais próximo de sua residência. Saiba
mais em www.gov.br/saude/gripe.
Fonte: Brasil 61
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