GAZA/DOHA/WASHINGTON
(Reuters) - Israel lançou um ataque durante a noite contra a principal cidade
do norte de Gaza, semanas depois de se retirar de lá, disseram moradores,
enquanto Washington prometeu responder ao primeiro ataque mortal contra suas
forças no Oriente Médio desde o início da guerra de Gaza.
Três
militares dos Estados Unidos foram mortos e pelo menos 34 ficaram feridos em um
ataque de drone por militantes apoiados pelo Irã no nordeste da Jordânia, perto
da fronteira com a Síria, afirmou o Comando Central dos EUA no domingo, uma
escalada na violência que irrompeu além de Gaza.
O
presidente dos EUA, Joe Biden, disse que os ataques foram realizados por grupos
militantes radicais apoiados pelo Irã que operam na Síria e no Iraque. O Irã
negou qualquer participação, mas as primeiras mortes no que foram dezenas de
ataques contra as forças dos EUA no Oriente Médio desde o início da guerra
entre Israel e Hamas provocaram apelos de políticos norte-americanos para uma
resposta direta.
Biden
ordenou ataques retaliatórios contra grupos apoiados pelo Irã, mas ao Irã
diretamente por medo de desencadear uma guerra mais ampla em meio à violência
que já prejudicou o comércio mundial por meio de ataques a navios no Mar
Vermelho.
"Não
tenham dúvidas de que responsabilizaremos todos os culpados no momento e da
maneira que escolhermos", afirmou ele no domingo.
Os
houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, que estão por trás dos ataques regulares
à navegação na região, disseram na segunda-feira que dispararam um foguete
contra o navio de guerra norte-americano Lewis B. Puller no Golfo de Áden no
domingo. Não houve resposta imediata de Washington.
Na
Faixa de Gaza, moradores disseram que ataques aéreos em bairros da Cidade de
Gaza mataram e feriram muitas pessoas. Enquanto os tanques bombardeavam as
áreas orientais da cidade, os barcos da Marinha disparavam projéteis e balas de
canhão nas áreas à beira-mar no oeste, segundo eles.
Israel
disse no final do ano passado que havia concluído em grande parte as operações
no norte de Gaza. A nova ofensiva na Cidade de Gaza, onde os moradores
relataram ferozes tiroteios perto do principal hospital Al-Shifa, indicou que a
guerra não estava ocorrendo conforme o planejado.
Entre
os mortos estavam dois jornalistas palestinos, Essam El-lulu e Hussein Attalah,
além de vários membros de suas famílias, segundo autoridades de saúde e o
sindicato de jornalistas.
Os
habitantes de Gaza disseram que o recrudescimento da violência ridiculariza uma
decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) que pede a Israel que faça mais
para ajudar os civis. Autoridades de saúde dizem que 26.422 palestinos foram
mortos no conflito, com milhares de outros corpos provavelmente sob os
escombros de edifícios destruídos em todo o território costeiro.
"A
guerra continua de uma maneira mais suja", disse Mustafa Ibrahim, morador
da Cidade de Gaza e ativista palestino de direitos humanos, agora deslocado com
sua família em Rafah, perto da fronteira sul com o Egito, junto com mais de um
milhão de outros habitantes de Gaza.
Israel,
que culpa o Hamas pelas mortes de civis, ordenou novas retiradas das áreas mais
populosas da Cidade de Gaza, mas as pessoas disseram que os apagões nas
comunicações fizeram com que muitos não conseguissem sair.
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