DOHA/GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - As forças israelenses bombardearam alvos no sul, norte e centro de Gaza nesta segunda-feira, antes de um esperado anúncio pelo Hamas sobre o destino de três israelenses mantidos como reféns pelo grupo militante palestino mostrados em um vídeo no fim de semana.
Doze palestinos foram mortos e outros ficaram feridos em um ataque aéreo israelense durante a noite em uma casa na Cidade de Gaza, ao norte, segundo autoridades de saúde, enquanto nuvens de fumaça subiam sobre a cidade de Khan Younis, no sul, bombardeada por tanques israelenses.
A
Agência de Imprensa Palestina Safa, afiliada ao Hamas, relatou confrontos
ferozes entre os militantes do Hamas e as forças israelenses em Khan Younis,
enquanto barragens de tanques israelenses também foram relatadas perto dos
campos de refugiados de Al-Bureij e Al-Maghazi, na região central de Gaza.
No
campo de refugiados de Al-Nusseirat, a jornalista local Doaa El-Baz mostrou
imagens do que antes era a rua onde ela morava.
"Todo
esse bairro está destruído. Nem uma única casa foi poupada", disse ela,
diante de montes de entulho.
"Eles
mataram todos os nossos sonhos aqui. A casa onde cresci e passei toda a minha
infância", afirmou Baz, com a voz trêmula.
As
comunicações na estreita Faixa de Gaza permaneciam interrompidas pelo quarto
dia consecutivo, segundo os moradores.
Em
um comunicado, as Forças Armadas israelenses disseram ter matado dois
combatentes palestinos em um ataque aéreo contra seu veículo, que transportava
armas em Khan Younis, além de ter invadido um centro de comando do Hamas na
cidade e atingido dois esconderijos de armas.
Os
três reféns estão entre os cerca de 240 apreendidos por militantes islâmicos do
Hamas durante um ataque ao sul de Israel em 7 de outubro.
Esse
ataque do Hamas, no qual, segundo Israel, mais de 1.200 pessoas foram mortas,
provocou uma operação aérea e terrestre das forças israelenses que, nos 100
dias seguintes, transformou grande parte de Gaza em um deserto e matou, segundo
as autoridades de saúde, cerca de 24.100 pessoas e feriu quase 61.000.
As
autoridades de saúde disseram que 132 pessoas foram mortas nas últimas 24
horas, sugerindo aos palestinos que a intensidade da ofensiva israelense não
diminuiu muito, apesar do anúncio de uma mudança para uma nova fase mais
direcionada.
As
Forças Armadas de Israel afirmaram que dedicarão meses a operações mais
direcionadas contra os líderes e as posições do Hamas no sul, após uma ofensiva
inicial total centrada no extremo norte da Faixa, que é densamente construído.
Quase
dois milhões de pessoas deslocadas estão abrigadas em tendas e outras
acomodações temporárias em meio aos combates no sul, com o pequeno território
ameaçado pela fome e por doenças devido à escassez crônica de alimentos,
combustível e medicamentos.
As
agências das Nações Unidas renovaram seu apelo na segunda-feira para um
cessar-fogo humanitário em Gaza.
"Precisamos
de acesso desimpedido e seguro para entregar ajuda e um cessar-fogo humanitário
para evitar mais mortes e sofrimento", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus,
chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), acrescentando que a fome
prejudicaria ainda mais os doentes e tornaria "uma situação já terrível
catastrófica".
REFÉNS
O
Hamas divulgou um vídeo no domingo mostrando três reféns israelenses que mantém
em Gaza e pediu ao governo israelense que interrompesse sua ofensiva aérea e
terrestre e conseguisse sua libertação.
O
vídeo de 37 segundos, sem data, de Noa Argamani, de 26 anos, Yossi Sharabi, de
53, e Itai Svirsky, de 38, terminou com a legenda: "Amanhã (segunda-feira)
informaremos a vocês o destino deles".
Cerca
de metade dos 240 reféns feitos pelo Hamas em sua incursão de 7 de outubro no
sul de Israel foi libertada durante uma breve trégua em novembro, mas Israel
diz que 132 permanecem em Gaza e que 25 morreram em cativeiro.
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