Por Matheus Teixeira e Cátia Seabra / Folha de São Paulo
O
governo Lula (PT) adotou como método o uso de canais oficiais do Executivo para
ironizar momentos adversos de rivais políticos.
A
postura da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) de
aproveitar reveses para fazer troça de adversários tem gerado mal-estar no
entorno do presidente e dado margem para críticas pela falta de impessoalidade
nas ações institucionais do Palácio do Planalto nas redes sociais.
Nesta
segunda-feira (29), logo após a Polícia Federal fazer uma operação contra o
vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), a página Governo do Brasil
publicou um texto sobre combate à dengue com a imagem de três toques na porta
com a expressão "toc, toc, toc", geralmente usada para se referir a
batidas policiais na casa de investigados.
A
publicação orienta as pessoas a tomarem medidas para evitar a proliferação do
mosquito da dengue, mas foi interpretada como uma indireta à família do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está na mira da PF por suposto uso
político da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).
A
deputada federal Erika Kokay (PT-DF) comentou a publicação com uma risada e
apoiadores do governo seguiram a mesma linha.
Ano
passado, um dia após Deltan Dallagnol (Novo-PR) ter o mandato de deputado
federal cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o governo fez uma
publicação alusiva à apresentação de PowerPoint feita pelo ex-procurador em que
acusava Lula de ser a figura central por trás dos esquemas investigados pela
Operação Lava Jato.
O
conteúdo publicado pelo governo exaltava programas lançados pela atual gestão.
Antes disso, em março de 2023, a Secom fez ironias sobre o caso das joias da
Arábia Saudita.
Além
disso, o governo também fez uma publicação sobre o aumento no valor do salário
mínimo acompanhado da frase "grande dia", expressão usada por
Bolsonaro quando Jean Wyllys anunciou que deixaria o país.
Em
publicação nas redes sociais, o ministro-chefe da Secom, Paulo Pimenta (PT),
afirmou que a "mensagem principal" da publicação desta segunda-feira
é a dengue e "o resto é especulação e tentativa de tirar o foco do que é
central e relevante neste momento".
"É difícil para quem raciocina em uma linguagem analógica tradicional entender o papel dos algoritmos nas 'janelas de oportunidades e fluxos' que a comunicação digital precisar considerar. É como se tivesse um trem em alta velocidade passando. Se eu ficar na frente sou atropelado", escreveu.
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