(*) JR Guzzo
Após um ano de política externa de grêmio estudantil, repetindo como um papagaio as mesmas bobagens contra “o imperialismo” das quais se fala há 75 anos, o presidente Lula ganhou de lavada a taça de “Perfeito Idiota Latino-Americano” de 2023. Você conhece o tipo – o perdedor clássico, que fica sempre do lado errado, nunca escolhe a opção racional e vive num mundo mental em que o pensamento é substituído o tempo todo por desejos inúteis.
A
performance deste primeiro ano de diplomacia Lula-Janja-Amorim, que se resume
em torrar fortunas em dinheiro público para ficar em hotéis “padrão Dubai” e
viajar ao exterior a cada quinze dias fazendo declarações cretinas, acaba de
receber um fecho perfeito. O Brasil, e mais uma vez de graça, toma a pior
decisão entre todas as disponíveis: juntou-se à África do Sul numa denúncia
contra Israel por “genocídio”.
A
política externa de Lula tem feito tudo o que é possível para hostilizar as
nações prósperas, democráticas e mais justas.
A
acusação é um despropósito em estado bruto – a começar pelo fato de que a
definição técnica do crime de “genocídio” no direito internacional não tem nada
a ver com o que Israel está fazendo em sua atual guerra contra o terrorismo
“palestino”. Tudo bem – a África do Sul, referência mundial em matéria de
corrupção maciça, concentração de renda e violência criminal, pode fazer o que
bem entende para ocultar os seus problemas reais com acessos de demagogia
primitiva. Mas e o Brasil? Por que raios teria de apoiar um disparate como
esse? Vai ganhar o que na vida real?
Não
vai ganhar absolutamente nada – está apenas satisfazendo, mais uma vez, a
compulsão da política externa de Lula em juntar-se à primeira gritaria de
linchamento contra o “Norte” que encontra pela frente. É automático. É alguma
coisa contra os Estados Unidos e o restante do mundo democrático, no qual se
inclui Israel? Então o Brasil é a favor.
O
mais patético, nessa em outras decisões da diplomacia Lula-Janja-Amorim, é a
pretensão de querer ser “influente” nas questões mundiais sem ter a menor
possibilidade de mudar nada, para lá ou para cá, em nenhuma das disputas hoje
em andamento através do mundo. Se o Brasil fica contra ou a favor disso ou
daquilo dá exatamente na mesma; ninguém, seja em briga de cachorro grande, seja
em briga de cachorro pequeno (ou médio), está ligando a mínima para o que o
Brasil acha ou não acha. A única atitude que faz sentido no cenário
internacional é ficar fora de posições ideológicas mecânicas e cuidar dos
interesses no Brasil. É o contrário do que Lula vem fazendo – ele fica sempre
contra os interesses do Brasil para satisfazer as suas fantasias de
“resistência” do “Sul Global” ao mundo que deu certo.
Tem
sido assim desde o primeiro dia de governo. O bom, para o povo brasileiro, é
integrar-se às esferas de prosperidade mais dinâmicas do mundo atual. A
política externa de Lula tem feito tudo o que é possível para hostilizar as
nações prósperas, democráticas e mais justas – e aliar-se, com paixão, aos
fracassados, às ditaduras e aos infernos sociais.
O
Brasil, hoje, é contra os Estados Unidos, os países livres da Europa e Israel –
a única democracia do Oriente Médio. É a favor da Rússia (Lula acha que a
Ucrânia é culpada pela invasão militar de seu próprio território), dos
terroristas do Hamas e de tiranias patológicas como o Irã. Em troca disso, só
arrumou até agora o desprezo e a má vontade dos países desenvolvidos – sem
ganhar nada das confederações subdesenvolvidas que tanto encantam o Itamaraty
lulista.
Fonte: Gazeta
do Povo
(*)
José Roberto Guzzo, mais conhecido como J.R. Guzzo, é um jornalista brasileiro,
colunista dos jornais O Estado de São Paulo, Gazeta do Povo e da Revista Oeste,
publicação da qual integra também o conselho editorial.
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