O economista Gabriel Muricca Galípolo, 41 anos, foi aprovado pelo Senado nesta 3ª feira (4.jul.2023) para comandar a Diretoria de Política Monetária do BC (Banco Central). É aliado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad e chega como o 1º na briga pela presidência da autoridade monetária em 2025.
O mandato de Galípolo terminará em 28 de fevereiro de 2027, meses depois da próxima eleição presidencial. Mas é possível que ele não cumpra todos os 4 anos na diretoria de Política Monetária. Com o fim do mandato de Roberto Campos Neto, muito criticado pela gestão petista, em dezembro de 2024, o economista poderá comandar a autoridade monetária em pouco menos de 1 ano e 5 meses.
Para
o governo, em especial Haddad, Galípolo assumirá a Diretoria de Política
Monetária com o objetivo de dar uma cara mais social para o Banco Central, com
foco também na criação de emprego e crescimento econômico.
A lei
de autonomia do BC estabelece um “objetivo fundamental”, que é
assegurar a estabilidade de preços. Na prática, serve para controlar a
inflação. A autoridade monetária também tem por objetivo zelar pela
estabilidade e eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do
nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego. Todos os itens são
tarefas do BC, desde que não haja “prejuízo de seu objetivo fundamental” de
controle da inflação.
CARREIRA
DE GALÍPOLO
tem
graduação e mestrado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo);
formou-se
em ciências econômicas, de 2000 a 2004, e fez especialização de 2005 a 2008;
enquanto
fazia o mestrado, deu aula de economia brasileira contemporânea; macroeconomia;
economia para relações internacionais; introdução à ciência política, história
do pensamento econômico; e economia política. Foi professor de 2006 a 2012
–começou quando tinha 24 anos;
lecionou
também na FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo);
em
2007, foi chefe da assessoria econômica da Secretaria de Estado dos Transportes
Metropolitanos, comandado na época por José Luiz Portella Pereira, no governo
de José Serra (PSDB);
partiu
em 2008 para a diretoria de Estruturação de Projetos na Secretaria estadual de
Economia e Planejamento, chefiada por Mauro Ricardo Costa;
de
2009 a 2022, atuou em consultoria própria e estruturou estudos de viabilidade
econômico-financeira de projetos de concessões e PPPs (parcerias
público-privadas), que culminou na indicação para o governo de transição em
2022;
Galípolo
ajudou o atual presidente do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, a elaborar o plano econômico de governo
em 2010 durante sua candidatura ao governo de São Paulo;
em
2017, o economista tornou-se CEO do Banco Fator, que começou a operar em 1967 no Rio. A
instituição financeira é conhecida pelo trabalho no mercado de PPPs e
privatizações. Chefiou a instituição financeira por 4 anos, até 2021. Criou
laços com o mercado financeiro neste período;
em
2022, passou a ser pesquisador sênior do Centro Brasileiro de Relações
Institucionais, onde atuou por 1 ano e 7 meses. Foi conselheiro da Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em 2022;
aos
40 anos, assumiu a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda –o número 2 na
pasta, abaixo de Haddad;
foi indicado para a diretoria do Banco Central em maio de
2023, aos 41 anos.
ENTRADA
NO GOVERNO LULA
Galípolo diz ter “empatia grande com o Fernando [Haddad] sobre
várias coisas que ele pensa”. A relação dos 2 antecede a disputa eleitoral. Em
abril de 2022, eles escreveram artigo no jornal Folha de S.Paulo em
defesa da “moeda sul-americana”.
Também
em abril de 2022, participou de jantar com empresários ao lado da
deputada e presidente do PT, Gleisi
Hoffmann. Havia um motivo para a sua presença: amenizar a tensão entre
a congressista e o empresariado.
O
então coordenador do grupo técnico e atual presidente do BNDES (Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, foi quem ligou para Galípolo e o
convidou para participar da equipe de infraestrutura da transição.
“Eu
inicio participando da equipe de infraestrutura. E, mesmo antes de receber o
convite, o presidente Lula me convida para uma reunião que está a equipe
econômica da transição […] junto com o Fernando [Haddad]. E
depois veio o convite do Fernando junto com o presidente para que eu fosse para
a secretaria-executiva”, declarou Galípolo em 13 de junho, durante evento da
revista Piauí.
SECRETARIA-EXECUTIVA
Galípolo
diz ter uma postura mais pragmática para os problemas do país.
Defende
que a comunicação e a transparência são as formas corretas de se fazer
políticas públicas –tema que avançou no Banco Central sob o comando de Campos
Neto.
Ele
avalia que a polarização é ruim para os negócios, mas não deixa de ter conexões
de pensamento socioeconômico fortes com Haddad. Ele trabalhou para amenizar a
rejeição dos empresários do governo petista.
“Eu
acho que 90% do meu trabalho era menos um trabalho de um economista […]. Eu
tinha um papel quase que de tradutor”, declarou Galípolo em junho.
Como
secretário-executivo, afirmou que treinou a forma adequada para transmitir as
mensagens internamente: “Algumas palavras viraram palavras-gatilho. Ao
usar uma terminologia ou palavra, imediatamente era identificado como grupo
oposto. Como por um lado, o teto de gastos, ou subsídios para o outro. Podia
virar rapidamente uma reunião civilizada e tranquila virar um Twitter”.
O
ex-número 2 da Fazenda exerceu importante papel de articulação no Congresso.
Elaborou com a equipe econômica um marco fiscal que permita a expansão das
despesas acima da inflação, mas que não descontrola a trajetória da dívida
pública.
RELAÇÕES
PESSOAIS
Gabriel
Galípolo escreveu livros com Luiz Gonzaga Belluzzo, economista com pensamento
desenvolvimentista que já defendeu a criação de um fundo para conter a
volatilidade do preço do petróleo e evitar a alta dos juros.
Ao
lado de Belluzo, que foi presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras de 2009 a
2010, o palmeirense Galípolo assinou manifesto em 2018 para reduzir os preços
dos ingressos realizados no Allianz Parque. Além deles, Aldo
Rebelo, ex-ministro do Esporte (2011-2015) participaram da petição.
POLÍTICA
MONETÁRIA
Em
artigo escrito ao site Capital Aberto em 2019, Galípolo disse que o
Banco Central detém a função de “coordenar as expectativas privadas que
governam as decisões dos investidores”.
Leia
abaixo trechos do que foi escrito por Galípolo:
“A
confiança é um fenômeno coletivo e social. A produção de bens e serviços e a
negociação de ativos são apostas em condições de incerteza. A confiança dos
apostadores está alicerçada na suposição de que serão respeitadas as regras que
garantem a ‘credibilidade” do padrão monetário”;
“Por
outro lado, para que o investidor continue investindo é necessário que exista
uma expectativa de que seus produtos encontrem demanda. Será então acerca das
especulações sobre essa conjuntura futura que se dará ou não a decisão de
investir”;
“Entretanto, […] é
a própria decisão de investir que determinará a demanda por máquinas,
equipamentos, mão de obra e matéria-prima, e os níveis de renda e emprego da
sociedade. O destino desta economia depende da decisão de gastar, investir e se
endividar dos investidores”;
“Essa
liquidez disponível às empresas, provocada pelo aumento do apetite a risco
relacionado à busca por maiores prêmios — seja na concessão de crédito ou na
compra de ativos — só se reverterá em crescimento econômico na existência de
projetos capazes de endereçar esses recursos em áreas como infraestrutura e
inovação tecnológica, permitindo não apenas reduzir o desemprego, mas garantir
a geração de renda necessária à estabilidade do sistema”;
“Essa
é a difícil mediação esperada das autoridades monetárias: não permitir níveis
de alavancagem temerários à estabilidade do sistema financeiro, mas inibir a
elevação da preferência pela liquidez em patamares que inviabilizem o pleno
emprego”.
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