Fotomontagem TM
O IRPAA destaca em seu site oficial que Área de Preservação Permanente(APP) do Rio São Francisco é ameaçada por Projeto de Lei da gestão municipal de Juazeiro. A seguir texto:
Como
se já não bastassem as diversas ameaças sofridas pelo Rio São Francisco, da
nascente até a foz, agora, o município de Juazeiro apresenta a proposta de um
Projeto de Lei (PL), que prevê a redução do tamanho da Área de Preservação
Permanente (APP) do Rio São Francisco nas áreas urbanas de Juazeiro.
Essa
irresponsabilidade ambiental ocorre justamente no mês em que é celebrado o Dia
Nacional em Defesa do Rio São Francisco, que visa a reflexão sobre os problemas
enfrentados e a proposição de ações em defesa do Velho Chico. Mas, ao invés
disso, vemos ser pautada pela Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano
(SEMAURB), que deveria priorizar o respeito e cuidado com o meio ambiente, um
PL que não tem compromisso com as questões ambientais.
A
Área de Preservação Permanente é uma área protegida, coberta ou não por vegetação
nativa, com função ambiental de preservar a biodiversidade e os recursos
hídricos, proteger os solos, dentre outras, de acordo com a Lei Federal n.
12.651/2012. A mesma Lei expõe que as faixas marginais de qualquer curso d’água
natural, perene e intermitente, com largura superior a 600 metros deve ter a
área de APP de no mínimo 500 metros. Enquanto que no PL foi apresentada uma
proposta que vai de encontro, sugerindo APP do Rio São Francisco – Região
Rodeadouro-Centro: faixa marginal de 100 (cem) metros; Região Centro: faixa
marginal de 15 (quinze) metros e Região Centro-Mariad: faixa marginal de 100
(cem) metros.
Atualmente,
às margens do Rio São Francisco é possível encontrar grandes empreendimentos,
condomínios e muitos trechos urbanos já com pouca mata ciliar, que tem a função
de proteger as margens do rio. “Pra evitar a degradação do rio é preciso ter
mais mata ciliar, aí vem uma proposta que vai reduzir. Então, sabemos que aí
tem interesse de empresariado para especulação imobiliária ou talvez para o
próprio segmento público”, a ativista ambiental e integrante do Coletivo
Enxame, Érica Daiane Costa.
Em
defesa da preservação do Rio São Francisco e indignada com a irresponsabilidade
do poder público, Érica, ressalta que a gestão municipal “Deveria estar
pensando num projeto de ampliação da mata ciliar, de plantio, de recuperação da
área degradada, e a gente não tem isso, tem é uma tentativa de diminuir ainda
mais, lugares ficarem com 15 metros apenas dessa área de proteção”. A proposta
será encaminhada para votação da Câmara de Vereadores sem nenhum diálogo com a
população de Juazeiro.
Nesse
sentido, o coordenador institucional do Instituto Regional da Pequena
Agropecuária Apropriada (Irpaa), Clérison Belém, levanta alguns questionamentos
e reflexões: "Que interesse está por trás disso? Quem vai ganhar com essa
redução? (…) É importante a gente socializar com a população e saber qual o
interesse do projeto de reduzir a Área de Preservação Permanente do Rio São
Francisco (…) A gente precisa preservar, recaatingar, ampliar a vegetação da
margem do rio para garantir a preservação”.
Em
reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente, realizada nesta última
quarta-feira (14), ocorreu a votação sobre a realização ou não de uma audiência
pública com a população para discutir acerca da redução da área de APP. Os/As
conselheiros/as representantes da Adab, Univasf, OAB e Irpaa foram a favor da
realização da audiência, enquanto que, representantes do Saae, Adeap, Sesau e
Codevasf votaram contra. Devido ao empate, o presidente teve direito ao voto de
minerva, assim o secretário municipal de Meio Ambiente e presidente do
Conselho, Islédio Bandeira, lamentavelmente, disse não à realização do debate
público com a sociedade.
Clérison
enfatiza ainda a posição contrária da sociedade civil ao PL. “Nós, como membros
do Conselho do Meio Ambiente do município de Juazeiro, representando a
sociedade civil, repudiamos este projeto, não consideramos um projeto válido
(…) Não representa os anseios do povo de Juazeiro, nem os anseios ambientais”.
Projetos
como esses vão na contramão das necessidades ambientais, tanto pela situação
urgente de proteção e revitalização do Rio São Francisco, quanto pelas questões
ambientais macro, que estão em discussão, frente às mudanças climáticas e todos
os impactos causados pelas degradações hidroambientais.
OUTRO LADO!
A Prefeitura de Juazeiro esclarece que obedece
todos os aspectos legais previstos na referida situação. Ressaltamos
ainda que a não realização de audiência pública foi deliberado pelo Conselho
Municipal do Meio Ambiente, que inclusive tem em sua maioria representantes da
sociedade civil e não do governo municipal.
Ascom/
PMJ
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