Os deputados da CPI do MST — Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga as ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra — aprovaram na última terça-feira (20) a convocação de João Pedro Stédile e José Rainha Júnior. Os dois estão entre os maiores líderes dos sem terra no país, e serão chamados à CPI para dar explicações sobre invasões e depredações de fazendas por integrantes do movimento. A data dos depoimentos ainda não foi marcada. Stédile é ligado ao MST, e Rainha deixou o antigo movimento para fundar um novo: a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL).
Os
requerimentos foram apresentados por parlamentares do PP,
do União Brasil e do PL.
De
acordo com o professor de Ciências Políticas do Ibmec Brasília, Rodolfo
Tamanaha, o avanço do cerco formado por oposicionistas que integram a CPI sobre
os dois líderes dos sem terras reflete o enfraquecimento do governo no
Congresso Nacional. Segundo o especialista, a rapidez com que foi instalada a
Comissão demonstra que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, pode
estar fazendo da CPI um instrumento de barganha para pressionar o governo.
"O
Lira no final das contas deixou essa CPI ser constituída, exatamente,
porque passa a ser também um contraponto e até um instrumento de barganha,
em certa medida, com o Poder Executivo", analisou o professor.
"Porque é exatamente essa CPI que viria para bater no Poder Executivo
e, realmente, [os depoimentos na Comissão] pode ser mais um momento
de enfraquecimento dessa relação do Poder Executivo com o Congresso",
afirmou.
Investigação
de Rui Costa e Bahia
Um
acordo entre governistas e deputados da oposição adiou a votação de um outro
requerimento que previa, além dos depoimentos de Rainha e Stédile, a convocação
do ministro-chefe da Casa Civil, deputado Rui Costa (PT-SP). Costa é petista
histórico e chegou a presidir o partido antes de a deputada Gleisi Hoffman
assumir o cargo mais alto da legenda.
O
documento também previa questionamentos a respeito da portaria editada em 2016
pela Polícia Militar da Bahia (estado comandado há 16 anos pelo PT), a
estabelecer diretrizes sobre a execução de mandados de reintegração de posse de
terras.
Oposição
no ataque
Parlamentares
da base governista avaliaram o requerimento como mais uma forma de tentar
desgastar o governo do presidente Lula (PT), já que a CPI conta com
maioria de deputados que fazem oposição ao atual governo.
Fonte: Brasil 61
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