A
empresa Omnia
360, criada por Arthur Lira Filho, 23 anos, filho do presidente da
Câmara, Arthur Lira (PP-AL), negociou acordos de publicidade
com a Secom (Secretaria
de Comunicação Social) e com os Ministérios da Saúde e
da Educação, além dos bancos públicos Banco
do Brasil e Caixa
Econômica Federal.
Segundo
reportagem da Folha de S. Paulo publicada na 6ª feira (16.jun.2023),
os veículos de mídia OPL
Digital e a RZK
Digital, representados pela empresa do filho de Lira, receberam pagamentos
para distribuir campanhas dos órgãos do governo e das instituições financeiras.
Dados
obtidos pelo jornal via LAI (Lei de Acesso à Informação) indicam que a OPL
Digital e a RZK Digital receberam os seguintes valores:
Ministério
da Saúde: cerca de R$ 6,5 milhões;
Secom:
cerca de R$ 2 milhões, sendo R$ 1,42 milhão para a OPL e R$ 594 mil para a RZK.
Dos pagamentos efetuados, R$ 1,59 milhão foi repassado de 2021 a 2022 durante o
governo do ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL). Outros R$ 428 mil foram enviados em 2023, na gestão do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT);
Ministério
da Educação: R$ 114 mil somente à OPL Digital.
A
Omnia 360 recebe uma parcela dos pagamentos efetuados. A OPL afirmou ao jornal
que a empresa de Arthur Filho recebeu 15% dos valores líquidos negociados com
as agências do governo, “porcentagem padrão para todos os nossos representantes
pelo Brasil”.
A
Caixa e o Banco do Brasil afirmaram que não detalham os valores pagos aos
veículos contratados por agências publicitárias para produzir e distribuir as
campanhas de mídia. No entanto, os bancos públicos divulgam uma lista de
empresas envolvidas nesses tipos de negócios.
Segundo
a Folha de S. Paulo, a OPL e a RZK aparecem na relação sobre acordos
fechados no ano passado. Ao jornal, a Caixa afirmou que realizou 16 reuniões
com representantes da Omnia “acompanhados dos responsáveis pelos veículos
de divulgação” em 2021 e 2022. De acordo com a instituição
financeira, não há registros de acesso em 2023.
O
Banco do Brasil disse que recebe rotineiramente veículos de comunicação e
que “a mesma prática se deu com a Omnia”. A instituição não informou
quantas agendas foram feitas com a empresa de Lira Filho.
REUNIÕES
COM ÓRGÃOS DO GOVERNO
Além
do filho de Arthur Lira, a Omnia 360 tem como dona Maria Cavalcante, 25 anos,
filha de Luciano Cavalcante, ex-assessor de Lira que foi alvo
de operação da PF (Polícia Federal) em Alagoas.
A
operação mirou um grupo suspeito de fraude em licitações de kits de robótica em
escolas e lavagem de dinheiro. Em 5 de junho, Calvacante deixou o cargo da liderança do PP na Câmara
dos Deputados.
A
publicitária Ana Magalhães também é sócia da empresa. Segundo a Folha de
S. Paulo, Maria Cavalcante e Ana Magalhães tiveram reuniões com a Secom
pelo menos duas vezes em 2021. Um outro encontro foi realizado em 2022.
A
filha de Luciano Cavalcante também fez 4 visitas ao Ministério do
Desenvolvimento Social em 2021. Dados fornecidos por meio da LAI mostram que
ela foi registrada no sistema do órgão como representante da “upl digital” em
3 acessos. Em outra ocasião, foi identificada como representante da “Omnis360”. O
ministério não disse se clientes da Omnia receberam verbas de publicidade.
O
QUE DIZEM AS EMPRESAS
Perguntado pela Folha de S. Paulo sobre as negociações, a Omnia 360 afirmou que
a atividade de representação comercial “consiste justamente em promover os
produtos do representado para o trade do seu setor”.
“Faz
parte das atividades da Omnia 360 fazer encontros nas agências de publicidade e
apresentar novidades e detalhes técnicos aos anunciantes. Algo corriqueiro nas
atividades do mercado publicitário, público e privado”, disse a empresa.
Ao
jornal, a OPL disse que está presente em campanhas de clientes de diversos
setores. “É natural que esteja também presente em campanhas públicas”,
afirmou.
A
RZK foi procurada, mas não respondeu. Em nota enviada antes da publicação
de outra reportagem sobre negócios da Omnia com o
Ministério da Saúde, publicada pela Folha de S. Paulo na 5ª feira
(15.jun.2023), a empresa disse que segue a prática “comum de mercado” de
atuar com representantes comerciais em locais onde não possui escritório.
O
QUE DIZ LIRA
A Folha
de S. Paulo também perguntou a Arthur Lira sobre o caso. Em nota, o
presidente da Câmara disse não haver “nada de errado no desenvolvimento
funcional da empresa” de seu filho, “e muito menos ingerência minha
na sua atividade empresarial”.
“Esta Folha
querer fazer associação sobre fato político inverídico, no caso solicitar ao
Ministério da Saúde, com interesses pessoais, é especulativa, descabida,
irresponsável e criminosa. E assim será tratada nas instâncias jurídicas, se
for publicada com esse foco”, afirmou.
Lira
também disse que “as ilações feitas pela Folha de S.Paulo não
são jornalismo”.
“Aliás,
isso é o antijornalismo”, afirmou.
Com informações do Poder 360.
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