Dia
7 de abril é o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, a
data instituída pelo Congresso Nacional e sancionada pela ex-presidente Dilma
Rousseff em 2016 é fundamental para dar relevância ao tema que tanto
preocupa a sociedade. A Lei nº 13.277/2016 que estabelece a efeméride foi
sancionada em 7 de abril, mesma data em que no ano de 2011 aconteceu o massacre
na escola em Realengo, quando um ex-aluno armado matou 12 estudantes e deixou
outros 13 feridos.
No
início de 2022 alguns casos de violência em escolas brasileiras, tanto públicas
quanto privadas, ganharam destaque nos noticiários e acenderam o alerta das
escolas, secretarias da educação e dos pais. Desde o começo do ano letivo, sete
menores de idade foram apreendidos por causa de crimes no ambiente escolar.
O
bullying não é uma prática nova, mas o termo se popularizou no Brasil a partir
da segunda década dos anos 2000. O país só adotou uma legislação
de combate à intimidação sistemática em 2015, quando a então
presidente Dilma Rousseff sancionou o programa que prevê capacitação das
equipes pedagógicas, campanhas educativas, assistência jurídica e psicológica
para as vítimas e agressores.
De
acordo com especialistas, o bullying é um comportamento recorrente que visa
constranger, humilhar, ferir e violentar o outro. O contexto em que esse tipo
de situação violenta acontece nas escolas é dos mais diversos tanto em sua
origem quanto em sua finalidade.
A
naturalização dos comportamentos violentos e até a sua superexposição nos ambientes
virtuais, como aplicativos de conversa e redes sociais, fomentam essas
práticas. As consequências das situações de violência, ofensas e humilhações
podem ser físicas e emocionais, afetando diretamente o desenvolvimento
socioemocional de crianças, adolescentes e jovens.
Uma pesquisa
da Microsoft aponta que 43% das pessoas no Brasil estiveram envolvidas
em situações de bullying online – praticando ou sofrendo – entre 2019 e 2020.
Além disso, os dados mostram que os mais jovens são os mais afetados pelo
cyberbullying – termo usado para o bullying virtual.
PROBLEMAS
ANTIGOS EM UM CONTEXTO NOVO
O
período de privação do convívio social físico motivado pela Covid-19 também tem
impacto direto no comportamento das crianças e adolescentes. Afinal, as
interações no ambiente escolar são fundamentais para o desenvolvimento de
diversas habilidades socioemocionais.
Assim,
os alunos que estão retornando ao convívio nas escolas precisam de muita
atenção, pois podem apresentar comportamentos mais agressivos, introspectivos e
de não pertencimento. Principalmente por terem lidado com mudanças de amplo impacto,
e muitas vezes em situações de vulnerabilidade em suas residências e relações
familiares.
As
escolas continuam tendo dificuldades no combate ao bullying e à violência,
principalmente por não terem do Estado o suporte necessário – inclusive
instrumental – para auxiliar os alunos na construção da cidadania. A criação de
protocolos de segurança é importante, mas é fundamental investir na capacitação
dos docentes e profissionais da educação para mediação de conflitos. O
investimento em políticas públicas de enfrentamento ao problema precisa ser
feito e de forma eficaz.
Prevenir
continua sendo um dos grandes caminhos para diminuir essas violências
cotidianas no espaço escolar. Essa prevenção passa pelo combate ao racismo, à
discriminação de gênero, ao capacitismo, ao etnocentrismo e a outras
desigualdades que estão enraizadas na nossa sociedade.
EXEMPLOS
POSITIVOS
Dentre as possibilidades que a gestão escolar tem de enfrentar o bullying e a violência está a criação de um Projeto Político-Pedagógico da escola. Desenvolver estratégias de diálogo e mediação para a resolução de conflitos é um caminho promissor.
Na EEFM
Matias Beck (Fortaleza-CE), por exemplo, onde a prática da mediação foi
adotada e envolve professores, líderes e participantes do grêmio estudantil, os
resultados foram positivos. Com a iniciativa, a escola conseguiu melhorar a
relação entre os estudantes e o corpo docente, além da relação entre os alunos.
Já
na UE
Elon Machado Moita (PI) foi lançado o projeto “Pauta do dia”, que por
meio de rodas de conversa ajuda os estudantes com questões socioemocionais e
outras preocupações. O resultado foi a melhora do comportamento dos alunos, da
sensação de pertencimento ao ambiente escolar e também da aprendizagem.
Esses
são alguns exemplos extraídos do Banco
de Soluções do Observatório de Educação, a plataforma do
Instituto Unibanco que reúne diversos conteúdos sobre Ensino Médio e
gestão em educação pública.
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