Foto divulgação
O
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu ontem dois processos administrativos
disciplinares contra a juíza Ludmila Lins Grilo, da Vara Criminal e da Infância
e Juventude de Unaí (MG), e decidiu afastá-la cautelarmente do cargo até a
conclusão dos procedimentos. A decisão foi unânime.
A
primeira investigação interna vai apurar se ela violou os deveres funcionais.
Uma inspeção na comarca apontou faltas sistemáticas ao trabalho presencial,
baixa produtividade e exercício paralelo de atividade empresarial. A auditoria
encontrou 1.291 processos parados. O processo disciplinar foi proposto pelo
corregedor Luís Felipe Salomão. Ele afirmou que a juíza demonstrou “total
desleixo” com o trabalho e “imenso desprestígio” com a magistratura.
“A
reclamada não cumpre seus deveres básicos, deixando de comparecer no fórum
mesmo sem ter autorização para realizar teletrabalho, negligenciando a gestão
do cartório e deixando fiscalizar os atos de seus subordinados”, afirmou.
Ludmila
disse ser vítima de um “assassinato de reputação” e de um “estardalhaço
midiático”. Em sua defesa, a magistrada afirmou que deixou o expediente
presencial e começou a fazer audiências a partir de cidades alternadas porque
passou a sofrer ameaças relacionadas ao trabalho. “O Gabinete de Segurança Institucional
do Tribunal de Justiça expressamente recomendou que o público não tivesse
ciência da minha localização física, pois isso implicaria imediato risco de
vida.”
Política
O
segundo processo é sobre manifestações político-partidárias da juíza em entrevistas,
eventos e nas redes sociais. O CNJ vai investigar se ela violou o dever de
imparcialidade. Outros 20 magistrados estão na mira do conselho pelo mesmo
motivo. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que funciona como um estatuto
da classe, impede manifestações político-partidárias, opiniões sobre processos
em curso ou “juízo depreciativo” a respeito de decisões.
Ludmila
fez críticas públicas ao Supremo Tribunal Federal, acusou os ministros de
“ativismo judicial” e sugeriu impeachment. Ela afirma que os comentários têm
relação com sua “atividade intelectual e como professora”.
As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O
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