Os
presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, em 7 de
fevereiro de 2022 (Foto: Wikimedia Commons)
Alemanha, França, Lituânia e Letônia anunciaram na
segunda-feira (4) a expulsão de dezenas de diplomatas da Rússia. O anúncio é parte da
reação europeia às denúncias de um massacre de civis por tropas russas na
cidade de Bucha, na Ucrânia,
cujas imagens foram reveladas no sábado (2). As informações são da rede Radio Free Europe (RFE).
Os corpos
de dezenas de pessoas foram encontrados nas ruas de Bucha três dias
após a retirada do exército russo que controlava a cidade, segundo a rede CNN. De acordo com o prefeito Anatoliy Fedoruk, em
entrevista à agência Reuters,
mais de 300 civis foram mortos na cidade pelas tropas russas, número que carece
de uma verificação independente.
Em
Bucha, imagens de agências de notícias reveladas no final de semana mostram
pessoas mortas com as mãos amarradas atrás do tronco, um indício de execução.
Outros corpos aparecem parcialmente enterrados, com algumas partes à mostra. Há
também muitos corpos em valas comuns. Nenhum dos mortos usava uniforme militar,
sugerindo que as vítimas são civis.
A
ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, diz que a
decisão de expulsar os diplomatas russos é uma resposta à
“brutalidade inacreditável” do Kremlin na Ucrânia. No total, Berlim listou 40
russos como “indesejáveis”
Em
comunicado, o governo alemão afirmou ainda que os diplomatas teriam que deixar
o país por atuarem “contra nossa liberdade, contra a coesão de nossa
sociedade”. “Não vamos tolerar mais isso”, afirmou Baerbock. Os indivíduos
afetado pela decisão têm um prazo de cinco dias para ir embora.
A
ação foi seguida pela França, com uma lista de 35 expulsos por desempenharem
atividades “contra nossos interesses de segurança”. Em comunicado oficial,
Paris alegou que o movimento também está diretamente relacionado ao massacre em
Bucha.
A
Lituânia, por sua vez, expulsou o embaixador russo em Vilnius e convocou seu
principal diplomata em Moscou para retornar ao país. “A Lituânia está em total
solidariedade com a Ucrânia e o povo ucraniano, que são vítimas da
agressão sem precedentes da Rússia. Estamos, portanto, diminuindo o nível da
representação diplomática da Rússia”, disse o ministro das Relações Exteriores
Gabrielius Landsbergis.
“Infelizmente,
o que o mundo viu em Bucha pode ser apenas o começo. Poderemos descobrir ainda
mais evidências de crimes de guerra cruéis em outras cidades após sua
libertação”, afirmou Landsbergis, citando outras cidades ucranianas que estão
sob controle russo. “Os crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos
pelas forças armadas russas na Ucrânia não serão esquecidos”.
Na
sequência do anúncio feito pela Lituânia, a vizinha Letônia disse estar
“reduzindo suas relações diplomáticas com a Federação Russa”. Entretanto, Riga
não deu maiores detalhes, dizendo apenas que se manifestaria oficialmente “uma
vez concluídos os procedimentos internos”.
Por
que isso importa?
Casos
de diplomatas russos expulsos por países europeus, sob acusação de
desempenharem atividades incompatíveis com suas funções, não são novidade. O
país mais afetado por tais atividades suspeitas é a Alemanha, dona da maior
população e da principal economia da UE, o que a torna forte influenciadora do
bloco, inclusive em assuntos ligados à Rússia.
A
relação diplomática entre os dois países é ruim desde 2014, quando da anexação
da região da Crimeia, na Ucrânia, pela Rússia. Desde então, a UE proibiu a
venda para empresas russas de bens de dupla utilização, aqueles que poderiam
também ter uso militar, e os casos de espionagem se acumulam
Em
março de 2021, um ciberataque
atingiu 38 parlamentares alemães, parte da campanha Ghostwriter atribuída
a hackers russos ligados ao GRU (Departamento Central de Inteligência). O
alvo eram políticos do SPD (Partido Social Democrata) e da CDU (União
Democrática Cristã), esta segunda a sigla da ex-chanceler Angela
Merkel. Mais tarde, em outubro, um diplomata russo, suposto agente da FSB (Agência Nacional de
Segurança da Rússia)
foi encontrado
morto em frente à embaixada em Berlim.
O
caso que mais contribuiu para estremecer as relações entre Berlim e Moscou
ocorreu em 2020. Foi o envenenamento do
principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, que
aliados dele atribuem ao presidente russo Vladimir
Putin. A vítima se recuperou na capital antes de retornar à Rússia, onde
está preso desde fevereiro de 2021.
A
Ucrânia, agora integralmente invadida por tropas de Moscou, também detectou
forte atividade de inteligência russa nos últimos anos. Um relatório divulgado
pelo SBU (Serviço de Segurança da Ucrânia, da sigla em inglês), no
final de 2021, aponta que mais de 20
oficiais da inteligência russa operavam no país sob cobertura
diplomática e foram denunciados desde 2014. O trabalho já levou aos tribunais
mais de 180 réus, que foram posteriormente considerados culpados por traição e
espionagem.
Até
mesmo a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi alvo dos espiões,
tendo anunciado, em outubro do ano passado, a expulsão de oito diplomatas
russos. Como consequência, à época, a aliança ainda reduziu pela metade a
equipe de Moscou dentro de seu quartel-general.
Em
março deste ano, já em meio à guerra, outros dois países europeus anunciaram a
expulsão de supostos diplomatas russos. Primeiro
a Bulgária, que determinou a saída do país de dez russos acusados de
desempenharem funções incompatíveis com o status diplomático. Uma semana
depois foi
a vez da Polônia, cuja lista de expulsões tinha 45 pessoas.
No
caso mais recente, quatro países da União
Europeia (UE) expulsaram 43
diplomatas russos, também em março. A Holanda puxou a fila, com 17
diplomatas expulsos por desempenharem “atividades secretas” como agentes de
inteligência. A Bélgica, em ação coordenada com o vizinho, expulsou 21 russos
na sequência. O terceiro país a aderir à ação foi a República Tcheca, com um
nome, enquanto a Irlanda anunciou uma lista com quatro indivíduos convidados a
deixar o país.
Eslováquia,
Estônia e Montenegro são outros países da Europa que nos últimos meses
anunciaram a expulsão de diplomatas russos em casos supostamente associados a
espionagem.
Os
mortos de Putin
Desde
que assumiu o poder na Rússia, em 1999, o presidente Vladimir Putin esteve
envolvido, direta ou indiretamente, ou é forte suspeito de ter relação com
inúmeros eventos, que levaram a dezenas de milhares de mortes. A lista de
vítimas do líder russo tem soldados, civis, dissidentes e até crianças. E vai
aumentar bastante com a guerra que ele provocou na Ucrânia
Na
conta dos mortos de Putin entram a guerra devastadora na região do Cáucaso,
ações fatais de suas forças especiais que resultaram em baixas civis até dentro
do território russo, a queda suspeita de um avião comercial e, em 2022, a
invasão à Ucrânia que
colocou o mundo em alerta.
Para
ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com / Siga o blog do
professorTM/EJ no Facebook, e no Instagram. Ajude a aumentar a nossa
comunidade.
AVISO: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Blog do professor Taciano Medrado. Qualquer reclamação ou reparação é de inteira responsabilidade do comentador. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não respeitem os critérios podem ser removidos sem prévia notificação


Postar um comentário