O
presidente dos EUA,
Joe Biden, anunciou nesta quinta-feira (3), em comunicado publicado pela Casa Branca, que o exército
norte-americano matou Amir Muhammad Sa’id Abdal-Rahman al-Mawla, também
conhecido como Abu Ibrahim al-Hashimi al-Qurashi, o principal líder do Estado Islâmico (EI).
“Ontem
à noite, sob minha direção, as forças militares dos EUA no noroeste da Síria
realizaram com sucesso uma operação
de contraterrorismo para proteger o povo americano e nossos aliados e
tornar o mundo um lugar mais seguro”, diz o texto. “Graças à habilidade e
bravura de nossas Forças Armadas, tiramos do campo de batalha Abu Ibrahim
al-Hashimi al-Qurayshi – o líder do EI”.
Al-Mawla
tornou-se líder do EI em novembro de 2019, após a morte
de Abu Bakr al-Baghdadi, também em um ataque militar norte-americano no
noroeste da Síria. Ao contrário do antecessor, que fazia raras, porém
periódicas aparições, al-Mawla era recluso, a fim de evitar o mesmo destino de
al-Baghdadi.
Civis
mortos
As
primeiras informações de uma grande operação
militar no noroeste da Síria, entre as cidades de Idlib e Aleppo,
surgiram na quarta-feira (2), com relatos de soldados norte-americanos usando
megafones para pedir à população civil que deixasse um edifício que seria
atacado. Depois, houve explosões e intensa troca de tiros, segundo a rede Voice of America (VOA)
O
secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, confirmou a ação, em
comunicado distribuído à imprensa. “As forças de Operações Especiais, sob o
controle do Comando Central dos EUA, conduziram uma missão de contraterrorismo
nesta noite no noroeste da Síria. A missão foi bem sucedida”.
De
acordo com a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos, sediada em
Coventry, na Inglaterra, a operação também terminou com a morte de civis. A
entidade informou que pelo menos 13 pessoas foram mortas pelo exército dos EUA,
incluindo três mulheres e quatro crianças.
Por
que isso importa?
Nos
últimos anos, o EI se enfraqueceu financeira e militarmente. Em 2017, o
exército iraquiano anunciou ter derrotado a organização no país, com a retomada
de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a
controlar um terço do Iraque, hoje mantém apenas células
adormecidas que lançam ataques esporádicos, quase sempre focados em
agentes do governo. Já as FDS, uma milícia curda apoiadas pelos EUA, anunciaram
em 2019 o fim do “califado” criado pela organização extremista na Síria.
De
acordo com um relatório do
Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em
julho de 2021, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa
de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria,
onde ainda mantém cerca de 10 mil combatentes ativos. O documento sugere,
ainda, que o grupo teve considerável perda financeira, devido a dois fatores:
as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus
líderes.
Paralelamente
à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número
de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como
a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas
têm se fortalecido em zonas de conflito, e isso pode causar um impacto na
segurança global conforme as regras de restrição à circulação são afrouxadas.
Esse
cenário permitiu ao EI, particularmente, ganhar uma sobrevida, fazendo uso
sobretudo do poder da internet. À medida em que as restrições relacionadas à
pandemia diminuem gradualmente, há uma elevada ameaça de curto prazo de ataques
inspirados no grupo fora das zonas de conflito. São ações empreendidas por
atores solitários ou pequenos grupos que foram radicalizados e incitados
através da internet.
Atualmente,
o principal reduto do EI é o continente africano, onde consegue se manter
relevante graças ao recrutamento online e à ação de grupos
afiliados regionais. A expansão do grupo em muitas regiões da África desde
o início de 2021 é alarmante e pode marcar a retomada de força da organização.
No
Brasil
Casos
mostram que o Brasil é um porto seguro para
extremistas. Em dezembro de 2013, levantamento do site The Brazil
Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas
no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica,
Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.
Em
2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de
Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista,
coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.
Em
2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF
prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados
semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao
Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.
Mais
recentemente, em dezembro de 2021, três
cidadãos estrangeiros que vivem no Brasil foram adicionados à lista de
sanções do Tesouro Norte-americano. Eles são acusados de contribuir para o
financiamento da Al-Qaeda, tendo inclusive mantido contato com figuras
importantes do grupo terrorista.
Para
o tenente-coronel do Exército Brasileiro André Soares, ex-agente da Abin
(Agência Brasileira de Inteligência), o anúncio do Tesouro causa “preocupação
enorme”, vez que confirma a presença do país no mapa das organizações
terroristas islâmicas.
“A
possibilidade de atentados terroristas em solo brasileiro, perpetrados não
apenas por grupos extremistas islâmicos, mas também pelo terrorismo
internacional, é real”, diz Soares, mestre em operações militares e autor do
livro “Ex-Agente Abre a Caixa-Preta da Abin” (editora Escrituras). “O Estado e
a sociedade brasileira estão completamente vulneráveis a atentados
terroristas internacionais e inclusive domésticos, exatamente em razão da total
disfuncionalidade e do colapso da atual estrutura de Inteligência de Estado
vigente no país”.
Para ler mais acesse, www:
professortacianomedrado.com
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