Há
dois tipos de série documental que têm sucesso garantido no streaming. O
primeiro é o formato “true crime”, olhar aprofundado sobre um assassinato de
grande repercussão midiática. O segundo é o “thriller político”, que expõe os
bastidores de um fato que provocou comoção na sociedade. O Caso Celso Daniel reúne
esses dois elementos na mesma produção.
Criada
pelo Estúdio Escarlate e disponível na Globoplay, a série revela detalhes da
investigação sobre a morte de Celso Daniel, então prefeito da cidade paulista
de Santo André, ocorrida em janeiro de 2002. O petista foi sequestrado após
sair de um jantar em um restaurante em São Paulo com o assessor Sérgio Gomes da
Silva, o “Sombra”. Na volta para o ABC, o carro onde estavam foi abordado por
bandidos armados, que levaram o prefeito – Sérgio conseguiu escapar. Dois dias
depois, o corpo de Celso Daniel foi encontrado em uma estrada próxima a Juquitiba,
na Grande São Paulo, com sete tiros.
“Começamos
o projeto em 2016, seria impossível prever o cenário eleitoral em 2022”
Joana
Henning, CEO do Estúdio Escarlate, negando o uso político do seriado
Sem
narrador em off, a história é contada por meio dos mais de 50 depoimentos
colhidos, em um excelente trabalho de reportagem liderado pela jornalista
Gisele Vitória. Sua equipe analisou mais de duas mil páginas do processo e
teve, entre seus primeiros consultores, Antonio Carlos Prado e Germano Oliveira,
diretores da revista ISTOÉ. Dos petistas José Dirceu e Gilberto de Carvalho aos
tucanos Fernando
Henrique Cardoso e Mara Gabrilli, passando por familiares, promotores
e delegados, as entrevistas garantem um tom equilibrado e respeitoso ao caso. A
discordância sobre a motivação do crime, no entanto, permanece a mesma em duas
versões conflitantes: para a Polícia Civil, foi um homícidio comum; para o
Ministério Público Estadual, a morte teve causa política e relação com esquemas
de corrupção envolvendo empresas de transporte urbano. A produção faz o
correto, ou seja, exibe os dois lados da investigação.
Há
elementos que seguem sem explicação, como a morte de sete testemunhas ligadas
ao caso – até o garçom que serviu o prefeito e o assessor na antevéspera do
crime foi assassinado. Outra questão sensível seria a eventual utilização
política da série, com prejuízo ao PT, em pleno ano eleitoral. Segundo Joana
Henning, CEO do Estúdio Escarlate, isso não influenciou o cronograma. “O
importante era marcar os vinte anos do crime. Começamos o projeto em 2016,
seria impossível prever o cenário eleitoral em 2022”, diz. Além das entrevistas,
a produção recorre a animações e sequências com atores – Tuca Andrada
interpreta Sérgio Gomes da Silva. A opção foi do diretor Marcos Jorge: “é um
caso intricado e complexo, além de muito delicado”, afirma. “Nosso desafio foi
organizar a história ao longo do tempo e contá-la com a voz de quem a viveu na
pele, de maneira clara, interessante e completa.” Quem quiser saber como a
série termina terá de esperar até 17 de fevereiro – é quando vai ao ar o seu
último episódio.
Fonte: Revista Isto É.
Para ler mais acesse, www:
professortacianomedrado.com
AVISO: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Blog do professor Taciano Medrado. Qualquer reclamação ou reparação é de inteira responsabilidade do comentador. É vetada a postagem de conteúdos que violem a lei e/ ou direitos de terceiros. Comentários postados que não respeitem os critérios podem ser removidos sem prévia notificação.

Postar um comentário