Da Redação
O
governo dos Estados Unidos acusa a China de desenvolver “armas controle
cerebral”, com aplicação tanto militar quanto
de vigilância doméstica. A afirmação foi feita por funcionários da inteligência
norte-americana familiarizados com a questão, conforme informações do
jornal The
Financial Times.
Um
alto funcionário do governo disse que a China está usando biotecnologias
emergentes para tentar desenvolver futuras aplicações
militares que incluam “edição de genes, aprimoramento do desempenho
humano [e] interfaces cérebro-máquina”.
No
processo de desenvolvimento desses armamentos, Bejijing faria uso também de
tecnologias norte-americanas provenientes de cinco setores, entre eles o
de biotecnologia,
de acordo com Michael Orlando, chefe do Centro Nacional de Contraespionagem e
Segurança (NCSC, da sigla em inglês) dos EUA.
A
partir dessas suspeitas, o Departamento de Comércio norte-americano impôs,
na ultima sexta-feira (17), sanções
a empresas chinesas acusadas de ligação com a questão. Elas estariam
envolvidas no aparato de vigilância usado contra a minoria étnica dos uigures
na região de Xinjiang.
“A
China está optando por usar essas tecnologias para buscar o controle sobre seu
povo e a repressão a membros de grupos minoritários étnicos e religiosos”,
disse Gina Raimondo, secretária de Comércio dos Estados Unidos.
Brian
Nelson, alto funcionário do Tesouro dos EUA, reforça a denúncia. “A ação de
hoje destaca como as empresas privadas nos setores de tecnologia
de defesa e vigilância da China estão cooperando ativamente com os
esforços do governo para reprimir membros de grupos
étnicos e religiosos minoritários”.
“Controle
cerebral”
A
Academia de Ciências Médicas Militares (AMMS, da sigla em inglês), da China, e
outros 11 institutos de pesquisa afiliados foram incluídos em listas de sanções
dos Departamentos do Comércio e do Tesouro. Assim, empresas norte-americanas
estão proibidas de exportar tecnologia a essas entidades listadas, acusadas de
ajudar os militares
chineses a desenvolverem “supostos armamentos de controle cerebral”.
O
termo “armas de controle cerebral”, embora careça de melhor definição, foi
usado por um oficial da AMMS para descrever qualquer equipamento que interfira
e controle a consciência humana durante as operações de combate, segundo o
site The
Defense Post.
Acusações
“infundadas”
A
Embaixada chinesa em Washington emitiu um comunicado na qual classifica as
sanções como uma “supressão injustificada” que viola as regras de livre
comércio globais.
Liu
Pengyu, porta-voz da Embaixada, afirmou que a biotecnologia tem sido usada pela
China “para o bem-estar” de seu povo e que as acusações dos EUA são “totalmente
infundadas”.
Já
o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin,
enfatizou que o país asiático se opõe firmemente à medida e exortou o governo
Biden a “retificar seus caminhos equivocados”. Ele disse, ainda, que Beijing
tomará “todas as medidas essenciais” para defender os interesses das
instituições de pesquisa chinesas.
Por
que isso importa?
O
fortalecimento militar chinês gera preocupação entre os norte-americanos e é
assunto de interesse global devido à questão
de Taiwan. Recentemente, um oficial de defesa dos EUA que prefere não se
identificar afirmou que o crescimento do arsenal chinês pode forçar a ilha a
abandonar suas aspirações de soberania e definitivamente se colocar sob o
domínio do Partido
Comunista Chinês (PCC). Como os EUA são o principal aliado militar de
Taipé, uma ação de Beijing nesse sentido poderia desencadear um conflito entre
as duas superpotências.
Em
caso de guerra, a supremacia militar dos EUA não é uma garantia, considerando o
alto investimento da China no setor. Analistas e líderes militares ouvidos pela
rede norte-americana Voice
of America (VOA) afirmam inclusive que Beijing pode superar
os Estados Unidos como mais poderosa força aérea do mundo na próxima
década.
Em
setembro, durante uma conferência militar, o general Charles Brown Jr., chefe
do Estado-Maior da força aérea norte-americana, qualificou o exército chinês
como detentor das “maiores forças de aviação do Pacífico”. E disse que o posto
foi alcançado “debaixo de nosso nariz”, sem uma resposta
à altura. Mais: ele projetou que a China pode assumir a supremacia aérea
militar global em 2035.
No
mesmo evento, o tenente-general S. Clinton Hinote manifestou opinião semelhante
e advertiu que os EUA não acompanham os avanços da China. “Em algumas áreas
importantes, estamos atrasados. E falo ‘nesta noite’. Esse não é um problema de
amanhã. É de hoje”. Posteriormente, em conversa privada com jornalistas,
reforçou a opinião de que os chineses já igualaram os avanços
tecnológicos norte-americanos no
setor.
O arsenal
nuclear da China também tem aumentado num ritmo muito maior que o
imaginado anteriormente, levando a nação asiática a reduzir a desvantagem em
relação aos Estados Unidos nessa área. Relatório recente do Pentágono
sugere que Beijing pode atingir a marca de 700 ogivas nucleares ativas até 2027,
tendo a meta de mil ogivas até 2030.
Por
ora, o poder de fogo nuclear da China não se compara ao dos Estados Unidos, que
têm cerca de 3,8 mil ogivas e não planejam ampliá-lo. Na verdade, o arsenal
norte-americano foi drasticamente
reduzido nos últimos anos, considerando que em 2003 eram cerca de 10
mil dispositivos ativos. Porém, se mantiver o projeto de longo prazo, a China
planeja igualar ou mesmo superar tais números até 2049.
Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com
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