ARTIGO: O Petróleo não é só um problema do Brasil, mas de uma economia mundial fragilizada face a vários fatores dentre esses a pandemia . Entenda.

 


Por: Taciano Gustavo Medrado Sobrinho 
Professor de Economia , Analise de Investimentos, engenharia Econômica e de Gestão e  política  ambientais.

Diante da crise mundial no que se refere aos preços dos combustíveis,  que te atingido valores exorbitante, criando um clima de perplexidade na população. No Brasil o prelo/litro da gasolina ja beira aso R$ 8,00, algo inimaginável de se acontecer, mas que se transformou em uma triste realidade para os brasileiros. E o pior, sem o governo poder fazer nada.  

Em recente entrevista o presidente Jair Bolsonaro declarou : 

"É uma empresa que não tenho domínio sobre ela, tem seu aparelhamento. Ela busca o lucro. Tivemos problema sério, no passado, além da corrupção, com a questão da paridade com preço internacional. Estamos buscando rever essa questão",

"A Petrobras reajusta o preço desses combustíveis observando estas variáveis: mercado externo, mercado interno, como eles se comportam, observamos praticamente três grandes mercados --os Estados Unidos, a Europa e a Ásia-- a competição entre produtores e importadores, e a variação do preço no mercado mundial", argumentou.

Segundo a revista mobiauto, os combustíveis têm passado por pesados reajustes no Brasil nos últimos tempos, com intervalos cada vez menores entre cada aumento. Chegamos ao ponto em que a média nacional do preço da gasolina chega quase a R$ 6 o litro, superando os R$ 7 em Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Acre e Tocantins.

A realidade é das mais assustadoras para o consumidor, que precisa encaixar no orçamento produtos cada vez mais caros com uma renda que, na maioria das vezes, não subiu ao longo da pandemia e que, em muitas delas, na verdade caiu.

Mas o que faz a gasolina ter aumentos tão expressivos em um tempo tão curto?

Alta do dólar 

A  Doutora em Energia pela Universidade Federal do ABC e Pesquisadora do Cebrap Sustentabilidade, Louise Nakagawa em entrevista a revista Mobiauto,  explica que o fator que mais influência no atual preço da gasolina é a variação cambial. O real é uma das moedas que mais têm se desvalorizado no mundo no último ano e meio.

E mesmo tendo uma petrolífera nacional e estatal, a Petrobras, o Brasil nos últimos anos vem atrelando o preço básico da gasolina vendida no país ao mercado internacional, ou seja, ao dólar. Com isso, o valor do combustível depende muito mais da estabilidade de nossa moeda do que antes.

Com a retomada da economia/indústria no mundo, a oferta de petróleo reduziu, fazendo com que a commodity tivesse seu preço valorizado. E isso tem reflexo direto aqui, já que negociamos o recurso em dólar”, explica a especialista. 

Paulo Feldmann, professor de economia da Universidade de São Paulo (FEA USP), também entrevistado pela Mobiauto, completa a fala da pesquisadora relembrando que, antes da pandemia, um dólar estava valendo cerca de R$ 4. Agora, bate R$ 5,40. Ao mesmo tempo, enquanto um barril de petróleo era comercializado por US$ 20 ou R$ 80 no início de 2020, agora custa US$ 80 ou R$ 440.

Valor do barril de petróleo

Feldmann acrescenta que internacionalmente há poucas empresas, estatais ou privadas, que controlam o setor de petróleo, e elas são muito bem organizadas na hora de determinar preços que jamais as deixem no prejuízo.

O petróleo é um setor da economia mundial onde se existe um ‘cartel’. Isso quer dizer que os produtores combinam o preço. Eles definem o preço e aumentam o valor como querem”, explica. 

Isso significa que, além de seguirem a lei de oferta e procura, as petrolíferas são capazes de promover reajustes coordenadamente. Lembrando que os maiores produtores de petróleo são os países árabes e a Rússia. 

Aumento da demanda pós-pandemia

O economista também explica que a retomada de atividades pós-pandemia foi uma das motivadoras do aumento. Afinal, alguns setores que estavam quase todos paralisados, como o de transporte terrestre e viário, voltaram a ganhar força e aumentaram a demanda por combustíveis.

No ano passado, por causa do Coronavírus, o valor do petróleo desabou, atingindo um dos patamares mais baixos de todos os tempos. Chegou 2021 com uma expectativa de melhora. Chegou a vacina. O consumo mudou. As pessoas voltaram a viajar. Muitos retornaram ao trabalho presencial. E foi aí que os produtores de petróleo perceberam que era o momento de recuperar o prejuízo, afirmou Feldmann.

"Quanto maior a procura, mais eles vão aumentar o preço. E é isso que já estão fazendo, pois acreditam que o mundo já está caminhando para um crescimento econômico novamente”, afirma o professor.

E os impostos?

O brasileiro paga uma carga tributária alta em cima dos combustíveis. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), os impostos representam 44% do preço da gasolina no Brasil: 28,3% são impostos estaduais, o conhecido ICMS, e 15,5% correspondem a taxas federais. 

Além disso, há o lucro dos revendedores e postos, que chega a 10%. O valor do transporte das distribuidoras representa quase 4%. 

Sendo assim, 58% do valor da gasolina é justificado nos dois parágrafos acima. Porém, o consumidor já pagava essas alíquotas há muito tempo, mesmo quando os preços estavam mais baixos. 

Portanto, quanto maior o valor do petróleo e do dólar, maior o preço básico dos combustíveis e maior o impacto absoluto dos tributos ao final da conta. É o que explica a pesquisadora Louise Nakagawa, que ressalta: apesar de altos, os impostos não são responsáveis pela atual escalada dos preços da gasolina.

Reduzir o [percentual de] ICMS, por exemplo, não faria grande diferença ao final da conta. Precisamos notar que a alta da gasolina não está ocorrendo apenas no Brasil, mas em outros países também”, ressalta a doutora. 

Feldmann concorda com a pesquisadora e reforça que não houve nenhum tipo de redução tributária no preço da gasolina nos últimos tempos, nem mesmo de impostos federais. “O presidente Jair Bolsonaro disse que iria diminuir os impostos, mas não diminuiu. Inclusive, os caminhoneiros estão bravos com isso”, relembra. 

Questionado sobre uma possível redução ou isenção do ICMS, o economista explica que, por causa da pandemia, os Estados fecharam 2020 com as contas no vermelho e grande parte deles não tem como abrir mão dele. “Isso causaria um problema sério para os Estados. E o Governo Federal sequer tem poder para interferir nesse imposto”.

Por fim, vale salientar  que o  petróleo é considerado como a fonte de energia mais importante da atualidade, pois é através dele que são realizadas diversas atividades. Composto pela junção entre as moléculas de carbono e hidrogênio, ele é utilizado, principalmente, em forma de combustível automotivo, tais como gasolina e diesel.

Encontrado em zonas de bacias sedimentares, em camadas abaixo da superfície, que se localizam em regiões oceânicas, o petróleo é extraído por meio de plataformas petrolíferas, que possuem a missão de perfurar o solo para encontrá-lo.

O que muitas pessoas não sabem é que, além de tudo isso, ele apresenta um papel importante na economia mundial, que inclusive gera disputas. Continue nos acompanhando para saber mais informações sobre este assunto.

Panorama geral econômico

Por apresentar uma importância vital no abastecimento de energia, o que garante o funcionamento da sociedade, o petróleo é considerado como um recurso natural extremamente estratégico.

Isto significa que, aqueles que o possuem, além de garantir uma fonte de renda, também conseguem representar certo domínio de poder, pois a maioria das nações deseja adquirir esse recurso para o interno abastecimento.

Historicamente falando, o aumento na demanda mundial pelo petróleo vem sendo resultado do próprio crescimento econômico das nações, onde a energia representa uma fonte indispensável para produção.

Além dos automóveis, outros meios de transporte como aviões, trens e navios passaram a demandar petróleo para gerar energia. Junto a isso, o próprio desenvolvimento das indústrias capitalistas fez com que aumentasse ainda mais a demanda pelo ‘ouro negro’, como é chamado, passando a ser mais difundido no mundo. 

À medida que a busca pelo petróleo foi crescendo no mundo, se firmavam também as posições dos grandes ofertantes dentro da geopolítica.

Geopolítica do petróleo

De modo geral, é possível dizer que, os principais atuantes na geopolítica do petróleo são os países que apresentam reservas amplas desse recurso, além daqueles que o consomem em grande quantidade.

Desta forma, os membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) formam parte dessa dinâmica, que inclui também outras nações, como os Estados Unidos e a China, sendo eles os maiores consumidores da atualidade.

A Arábia Saudita é líder mundial na produção de petróleo, o que influencia muito em sua postura geopolítica. Os Estados Unidos, mesmo estando em terceiro lugar em produção, aparece como o maior consumidor, o que explica as diversas ações feitas pelo país, a fim de ampliar seu mercado e abaixar os custos da importação do petróleo.

Outra análise importante e interessante, neste contexto, é o papel crescente que o BRICS desempenha (Grupo de economias emergentes, formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). São quatro os países deste grupo que estão entre os 10 maiores consumidores de petróleo do mundo, sendo a Rússia e a China as que também fazem parte do grupo de maiores produtores.

O Brasil é o décimo terceiro maior produtor de petróleo do mundo, e a previsão é que, em 2020, o país suba a posição e alcance os sete maiores.

Referências

https://www.mobiauto.com.br/revista/por-que-o-preco-da-gasolina-esta-subindo-sem-parar-no-brasil-/1109

https://etesco.com.br/petroleo-e-sua-importancia-na-economia-mundial/

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