Manifestações no rio de Janeiro
De
Redação
Prof.
Taciano Medrado
Movimentos como o Vem Pra Rua e o MBL
(Movimento Brasil Livre) fizeram hoje protestos em capitais do país pela defesa
da prisão após condenação em segunda instância. Houve manifestações em cidades
como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba
e Brasília.
A prisão em segunda instância foi
derrubada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na última quinta-feira, o
que levou à libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na operação Lava Jato. O STF decidiu
que a prisão nessas condições é inconstitucional
Os manifestantes pressionam para que o
Congresso Nacional mude a Constituição e fixe na legislação a prisão em segunda
instância..
Em São Paulo, os atos aconteceram na
avenida Paulista. Um carro de som do Vem Pra Rua concentrou seguidores em
frente à sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Outro, do grupo Nas Ruas, reuniu manifestantes no Masp (Museu de Arte de São
Paulo). Integrantes do MBL também protestaram na avenida. Nos discursos, houve
ataques ao STF e a Lula.
Rio de Janeiro
No Rio, o Movimento Vem Pra Rua reuniu
poucas pessoas na manhã de hoje, na praia de São Conrado, na zona sul, para
protestar contra o Supremo. Os manifestantes se reuniram em torno de um pequeno
carro de som e ocuparam menos de um quarteirão da praia, bem em frente ao
prédio onde mora o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.
Muitos deles estavam vestidos de preto.
A maioria, no entanto, manteve a tradição do movimento e se vestiu de verde e
amarelo. "A decisão do STF foi um golpe, um ato político", discursou
uma das organizadoras do evento, Adriana Balthazar, do Vem Pra Rua/RJ.
"Estamos na rua para pedir o fim da impunidade."
"A gente acordou com uma sensação
de ressaca, sabe, dor de cabeça, uma sensação muito ruim", afirmou o
administrador
Bruno Miller, de 54 anos, que
participava da manifestação ao lado da mulher, a advogada Karen Cabral, de 42
anos. "A gente dá dez passos para frente e cinco para trás, mas o Brasil
está mudando, vai mudar."
Nos cartazes dos manifestantes, as
palavras de ordem eram "Prisão em segunda instância, sim, impunidade,
não", "Lula, volta para a cadeia", "Meu partido é o
Brasil" e "A nossa bandeira jamais será vermelha".
Belo
Horizonte
Em Belo Horizonte, sem caminhões de som e com muito
menos gente do que em protestos anteriores, geralmente realizados aos domingos,
manifestantes se reuniram na Praça da Liberdade, região centro-sul da capital mineira.
O aposentado Geraldo Teixeira, 76 anos, mostrava um
cartaz com a frase "STF, câncer do Brasil". "Muitas pessoas
estão indignadas, mas não mostram que estão indignadas", disse. Para o
administrador de empresas e contador Daniel Maciel, 37 anos, a decisão do
Supremo deixa sensação de impunidade. "A prisão tem que ser mais rápida. É
assim em outros países. Por que temos que retroceder?", questionou.
O coordenador do Vem pra Rua em Minas,
Max Fernandes, classificou a decisão do STF de "grave retrocesso".
"Foi um duríssimo golpe no peito dos brasileiros. Para nós, o fim da
prisão após segunda instância é um grave retrocesso. Ficará para nós a perda de
credibilidade e a sensação de impunidade, principalmente de réus ricos e
poderosos".
Para o representante do Vem
pra Rua, cabe agora aos parlamentares em Brasília "corrigir" o
posicionamento do STF. "O Congresso tem o dever moral de aprovar
rapidamente uma lei, ou Projeto de Emenda Constitucional [PEC], que corrija
imediatamente a decisão do STF. Hoje o Brasil estará nas ruas para
pressioná-los. Não há tempo para o 'mimimi'. Temos de agir e fazer ouvir o
desejo do cidadão de bem, que repudia o crime e quer ver o Brasil crescer". Ao mesmo tempo, Fernandes frisou
que o movimento é contra intervenções ou "golpe no STF".
"Defendemos o Estado Democrático de Direito", afirmou
Recife
No Recife, o Vem Pra Rua realizou mobilização na
avenida Boa Viagem, na zona sul. Manifestantes ocuparam uma quadra da via.
Essa foi a primeira participação da cobradora de
ônibus Isabela Regina, 34, em um movimento pró-Bolsonaro. "Estou aqui pela
PEC 410 e apoiando o pacote anticrime do [ministro da Justiça, Sergio] Moro.
Viemos hoje não pelo presidente, mas pela nação, para acabar com essa safadeza
do STF, de ter soltado os bandidos", disse. A PEC 410, que deve ser votada
em comissão na Câmara dos Deputados na próxima semana, permite prisão depois de
condenação em segunda instância.
.
A cobradora, que apoia o Vem Pra Rua
pelas redes sociais, acredita que o movimento é sensato e importante para o
país. "É uma necessidade para todos nós, brasileiros. Temos que lutar contra essa impunidade na
soltura de bandidos".
A psicóloga Sheyla Paes, de 40,
afirmou que começou a frequentar protestos em Boa Viagem pelo impeachment da
ex-presidente Dilma Rousseff e que se revoltou com a decisão do Supremo.
"Eu apoio o evento, apoio Bolsonaro, a PEC e a intervenção militar, porque
chegou numa situação em que é tudo ou nada, não tem meio-termo", disse.
Fonte : Estadão Conteúdo





Postar um comentário