Foto: Reprodução Internet/Google
Por Diana Câmara*
O fim das coligações
proporcionais que será experimentado na eleição do próximo ano está fazendo
muitos políticos repensarem suas estratégias eleitorais e partidárias. Qual a
melhor escolha: concorrer em partido pequeno, em grande legenda partidária, em partido
com candidato puxador de votos ou sem correligionário de mandato? Todas essas
indagações passam por um mesmo ponto: quociente eleitoral.
Então para se tomar
uma decisão com convicção nada mais importante do que saber o que é o quociente
eleitoral, como ele será calculado nas próximas eleições e qual sua importância
na disputa por uma cadeira na câmara municipal.
Quociente eleitoral
é um método pelo qual se distribuem as cadeiras nas eleições pelo sistema
proporcional de votos em conjunto com o quociente partidário e a distribuição
das sobras. Chega-se ao quociente eleitoral ao pegar o total de votos válidos e
dividir pelo número de vagas em disputa.
Nas Eleições 2020,
conquistará uma cadeira no parlamento municipal o partido que tenha atingido o
quociente eleitoral necessário, bem como seu candidato tenha recebido pelo
menos 10% do quociente eleitoral. Havendo sobras, todos os partidos disputam as
cadeiras restantes, independentemente de ter feito ou não o quociente
eleitoral. A nova regra tem a finalidade de evitar que candidatos com votações
muito baixas sejam eleitos pelos puxadores de votos.
Vamos exemplificar.
Vamos exemplificar.
Observando a eleição
de 2018, onde estas regras já estavam em vigência, mas ainda era possível
realizar coligações proporcionais, podemos observar que os puxadores de votos
para a Câmara dos Deputados perderam um pouco de força, mas continuam
existindo. É que para ter direito a uma cadeira na Câmara, o candidato a
deputado precisava ter no mínimo 10% de votos do quociente eleitoral. Um exemplo
de puxador de votos foi o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP),
que teve a maior votação do país: 1,84 milhão de votos. Esse total foi seis
vezes maior que o quociente eleitoral. Assim, pela estrondosa votação da
legenda, o PSL de São Paulo tinha votos suficientes para eleger 17 deputados
federais, mas ficou com 10 cadeiras porque não havia outros candidatos com pelo
menos 10% do quociente, cerca de 30 mil votos.
Assim, pela lógica
do caso concreto trazido, não adianta apenas o partido político ter um
candidato puxador de votos, tem que investir nos demais candidatos para que não
tenham uma votação pífia que os impossibilitem de disputar uma vaga.
A eleição para
vereador é regida pelas regras das eleições proporcionais. Este tipo de sistema
tem esse nome porque, de fato, leva em consideração a proporcionalidade. O
sistema de voto proporcional busca refletir a distribuição de votos dentro do
parlamento, com objetivo de democratizar a participação de uma pluralidade de
partidos, tentando formar assim um governo mais heterogêneo.
Será que vamos conseguir ver isso como resultado das Eleições 2020 ou veremos um encolhimento na quantidade de partidos e o fortalecimento de algumas poucas siglas?
Será que vamos conseguir ver isso como resultado das Eleições 2020 ou veremos um encolhimento na quantidade de partidos e o fortalecimento de algumas poucas siglas?
Olhar o passado
ajuda a enxergar melhor o futuro. Se as eleições municipais de 2016 fossem hoje
e com as regras atuais, na câmara de vereadores do seu município a composição
estaria preservada ou haveria uma grande mudança no legislativo municipal?
*Advogada especialista
em Direito Eleitoral, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/PE,
membro fundadora e ex-presidente do Instituto de Direito Eleitoral e Público de
Pernambuco (IDEPPE), membro fundadora da Academia Brasileira de Direito
Eleitoral e Político (ABRADEP) e autora de livros.


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