O mais
recente balanço do Cemaden,
referente a setembro de 2026, sobre o risco
de seca na agricultura familiar acende o sinal de alerta para as
lavouras que iniciaram a semeadura em julho e encerram o seu ciclo em
setembro. Segundo o órgão, 170 municípios brasileiros foram mapeados
com risco alto de seca distribuídos entre as regiões Nordeste com 131,
Norte com 34 e Centro-Oeste com 5. E outros 27 alcançaram
o patamar de risco muito alto, sendo 26 no Nordeste e 1 no
Norte. O cenário gera forte apreensão para os cultivos de sequeiros não
irrigados de milho e feijão.
Em
comparação com o mesmo período de 2025, houve um salto na gravidade
dos dados para as lavouras iniciadas em julho, quando o país contava com 32
municípios em risco alto e nenhum em risco muito alto. Por outro lado, para
os plantios mais recentes iniciados em agosto e setembro de 2026,
observou-se uma redução no número de municípios com risco alto e moderado nas
regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste em relação ao ano anterior. A
exceção fica por conta da região Norte, que registrou aumento na
severidade e no número de municípios afetados pela seca moderada e severa, com
destaque para o estado do Amazonas.
A Região
Nordeste sobressai como a área de maior vulnerabilidade dentro desse ciclo
agrícola. Ao todo, 157 municípios nordestinos estão enquadrados nos
níveis mais graves de monitoramento, somando 131 cidades em risco alto e 26
no nível muito alto de perda de safra. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab) citados no relatório mostram impactos diretos na produção de
culturas como o feijão-caupi, feijão cores e o milho em estados como Paraíba,
Bahia, Piauí, Alagoas e Pernambuco, onde o estresse hídrico nas fases de
floração e enchimento de grãos reduziu o potencial produtivo.
O
monitoramento da severidade é realizado por meio do Índice Integrado de Seca
(IIS), que combina o indicador de chuva (SPI1), a anomalia de
umidade do solo a um metro de profundidade e o Índice de Saúde da Vegetação
(VHI). A identificação detalhada das cidades sob risco crítico fornece
subsídios técnicos fundamentais para direcionar ações preventivas, orientar
o planejamento agrícola e apoiar as comunidades rurais mais atingidas pela
estiagem.
Detalhamento
dos Impactos Regionais e por Cultura
- Paraíba: A escassez hídrica e a distribuição irregular de chuvas no Sertão comprometeram a 2ª safra de feijão-cores, feijão-caupi e milho, resultando em elevadas proporções de áreas em condições regulares ou ruins
- Bahia: O menor volume pluviométrico afetou a 2ª e 3ª safras de feijão-caupi e feijão-cores em fases reprodutivas críticas. Na 2ª safra de milho, a colheita encerrou-se com produtividade 38,5% inferior à estimativa inicial
- Piauí e Pernambuco: A estiagem em fases reprodutivas provocou perdas na produtividade média do feijão-caupi de plantio tardio. Em Pernambuco, apesar do bom início de safra para o milho, a redução posterior das chuvas comprometeu o rendimento final.
- Alagoas e Sergipe: No Sertão alagoano, a persistência da seca reduziu o potencial do feijão-cores e levou lavouras de milho a serem retrabalhadas para silagem e pastejo. Em Sergipe, os baixos volumes de agosto encurtaram o ciclo do milho e confirmaram baixas produtividade
- Região Norte: O estado do Amazonas destacou-se com 2 municípios em condição de seca severa e 27 em seca moderada em setembro. Em Roraima, a irregularidade de chuvas entre junho e julho afetou drasticamente a 3ª safra de mil
- Região Sudeste: Em Minas Gerais, a restrição hídrica resultou numa estimativa para a produção de milho 9,4% inferior à safra anteri
- Região Sul: No Paraná e no Rio
Grande do Sul, a estiagem e a umidade insuficiente comprometeram o vigor
vegetativo e a qualidade do feijão-cores e feijão-preto.
Funcionamento
do Monitoramento Técnico
A metodologia do IIS combina dados hidroclimáticos para inferir perdas na produção. Secas nas categorias entre moderada e excepcional sinalizam diferentes níveis de impacto:
Quando ocorrem no início do plantio: provocam o atraso no calendário agrícola.
Quando incidem no meio do ciclo fenológico das culturas: indicam quebra direta de safra.
Fonte: Brasil 61
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