ELEIÇÕES 2026 — Amizades rompidas são como cacos de um cristal valioso: depois de quebrado, dificilmente recupera sua beleza original



Por Taciano Medrado*

Olá, caríssimos leitores!


As eleições de 2026 chegam ao fim às 17h deste domingo, 25 de outubro. Independentemente de quem saia vitorioso ou derrotado das urnas, uma triste constatação já se impõe: a disputa eleitoral deixa para trás um rastro de ressentimentos, desentendimentos e amizades rompidas.


Lamentavelmente, parte dos eleitores brasileiros ainda demonstra dificuldade em compreender a essência de um Estado Democrático de Direito: o respeito às diferenças, à liberdade de pensamento e ao livre-arbítrio de cada cidadão para escolher, de maneira soberana, o candidato que melhor representa suas convicções.


A polarização política que tomou conta do país ultrapassou os limites do debate democrático e invadiu os lares, as rodas de amigos e até mesmo as relações familiares. Em muitos casos, o fanatismo ideológico, a intolerância e a idolatria política falaram mais alto do que o bom senso, a civilidade e os laços afetivos construídos ao longo de décadas.


Na avaliação deste editorial, o lulopetismo e os setores mais radicalizados da esquerda contribuíram para alimentar esse ambiente de confronto, no qual divergências políticas passaram a ser tratadas como motivos para hostilidade, ataques pessoais e rompimentos. Entretanto, é preciso reconhecer que a intolerância política não tem dono: independentemente do lado ideológico, todo aquele que transforma adversários em inimigos contribui para o enfraquecimento da convivência democrática.


O mais contraditório é ver pessoas romperem com amigos de longa data e até com familiares que estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis da vida por causa de políticos que, na maioria das vezes, sequer sabem de sua existência.


Enquanto cidadãos comuns se desgastam emocionalmente, trocam ofensas e destroem relações pessoais em nome de seus candidatos, os protagonistas da política continuam suas trajetórias, cercados por assessores, privilégios e estruturas de poder. A pergunta que fica é inevitável: vale a pena sacrificar amizades verdadeiras e vínculos familiares por pessoas que não conhecem você e que, muito provavelmente, jamais saberão dos conflitos que suas escolhas provocaram na sua vida pessoal?


As eleições passam. Os mandatos passam. Os políticos passam. Mas as marcas deixadas nas relações humanas podem permanecer por muitos anos.


Uma amizade rompida é como um cristal valioso que cai ao chão e se estilhaça. Mesmo que seus pedaços sejam reunidos, dificilmente voltará a apresentar a mesma beleza, a mesma transparência e a mesma integridade de antes.


As agressões verbais, as humilhações, a indiferença e o desrespeito são como flechas lançadas: depois de atingirem o alvo, não há como fazê-las retornar. Palavras pronunciadas no calor de uma discussão podem ser esquecidas por quem as disse, mas permanecer gravadas na memória de quem foi ferido.


Por isso, não basta que o agressor, depois de passada a disputa eleitoral, apareça com um pedido de desculpas protocolar, como se bastasse apertar um botão para restaurar tudo ao estado anterior. Para quem ofendeu, pedir perdão pode parecer simples. Para quem foi ofendido, porém, reconstruir a confiança pode ser um processo longo, doloroso e, em alguns casos, impossível.


O perdão não pode ser exigido, muito menos tratado como uma obrigação automática. Ele precisa respeitar o tempo, os sentimentos e os limites de quem sofreu a ofensa. Reconstruir uma amizade exige mais do que palavras: exige sinceridade, reconhecimento do erro, respeito e atitudes capazes de demonstrar que a relação ainda merece uma nova oportunidade.


Que este encerramento das eleições de 2026 sirva, portanto, de reflexão. Nenhum político merece ocupar um espaço tão grande em nossas vidas a ponto de nos fazer perder pessoas que caminharam conosco durante anos. A política deve ser instrumento de participação cidadã, nunca uma justificativa para destruir aquilo que temos de mais valioso: nossos vínculos humanos.


A democracia pressupõe o direito de escolher, mas também o dever de respeitar a escolha do outro. Podemos votar em candidatos diferentes, defender ideias opostas e discordar profundamente sem transformar a divergência em inimizade.


E, se uma amizade foi quebrada pela intolerância política, que a reconciliação, quando possível e desejada por ambas as partes, nasça da humildade e do respeito — jamais da hipocrisia ou da conveniência de uma nova disputa eleitoral.


Afinal, a vida continua depois da apuração das urnas. E, quando chegar a próxima eleição, os políticos estarão novamente pedindo votos, enquanto muitos daqueles que hoje se agridem talvez continuem carregando as cicatrizes de uma guerra que nunca deveriam ter travado.


Que cada um faça suas escolhas, assuma suas convicções e respeite as escolhas alheias. A política passa. A vida segue. E nem todo cristal quebrado volta a brilhar como antes.


Pense nisso!


(*) Professor, psicopedagogo, redator chefe do (*) TMNews do Vale — veículo de comunicação independente e com Informação que aproxima com credibilidade e sem meias verdades


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