Decisão tomada na véspera das eleições determina a nulidade dos votos destinados ao ex-procurador da Lava Jato. Gleisi Hoffmann (PT) pode ser beneficiada diretamente pelo novo cenário eleitoral no Paraná.
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Da redação*
Olá, caríssimos leitores,
A poucos momentos da abertura das urnas para o primeiro turno das eleições gerais de 2026, uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promete provocar forte repercussão no cenário político paranaense.
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, indeferiu neste sábado (3) o registro de candidatura de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado Federal pelo Paraná e determinou que os votos destinados à chapa sejam considerados nulos na apuração deste domingo (4).
A decisão também alcança os dois suplentes da chapa e ainda será submetida à análise do plenário da Corte.
MAIS UMA DECISÃO JUDICIAL NA RETA FINAL DO PLEITO
O argumento apresentado pelo ministro é de que Dallagnol teria deixado o cargo de procurador da República, em novembro de 2021, para evitar a incidência das regras de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa.
O entendimento retoma decisão anterior do próprio TSE, que resultou na perda do mandato de deputado federal do ex-procurador em 2023.
Entretanto, o momento escolhido para a decisão — menos de 24 horas antes da votação — inevitavelmente alimenta questionamentos sobre os efeitos políticos e eleitorais de uma medida dessa magnitude.
GILMAR MENDES TAMBÉM RECEBEU PEDIDO PARA ANULAR VOTOS
Como se não bastasse, horas antes da decisão do TSE, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu uma petição solicitando que os votos destinados a Deltan fossem considerados nulos.
O pedido foi apresentado na Reclamação 94.666, já sob relatoria do decano da Corte, e encaminhado diretamente ao seu gabinete.
A coincidência temporal entre as movimentações judiciais amplia o debate sobre a atuação do Judiciário no processo eleitoral brasileiro.
GLEISI HOFFMANN PODE SER A GRANDE BENEFICIADA
O ponto politicamente mais sensível dessa decisão está na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Paraná.
A petista Gleisi Hoffmann aparece entre os principais nomes da corrida eleitoral e pode ser favorecida caso os votos que seriam destinados a Deltan deixem de integrar a disputa.
Pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 11 e 15 de setembro, apontava o seguinte cenário:
Deltan Dallagnol (Novo): 19%;
Alexandre Curi (Republicanos): 18%;
Filipe Barros (PL): 18%;
Gleisi Hoffmann (PT): 16%.
Com a margem de erro de dois pontos percentuais, a disputa já se apresentava acirrada.
A retirada de Deltan do cenário eleitoral, portanto, poderá alterar significativamente a distribuição das duas vagas em disputa.
O ELEITOR E A DEMOCRACIA NO CENTRO DO DEBATE
Não se trata apenas de uma candidatura indeferida. Trata-se de uma decisão judicial com potencial de interferir diretamente no resultado de uma eleição cuja votação começa neste domingo.
A pergunta que fica é inevitável: até que ponto decisões judiciais tomadas na véspera do pleito podem modificar o cenário eleitoral e interferir na vontade expressa nas urnas?
No entendimento deste redator, a Justiça Eleitoral tem o dever de assegurar o cumprimento da legislação, mas também precisa preservar a confiança da sociedade na imparcialidade e na segurança jurídica do processo democrático.
Afinal, em uma democracia, o voto pertence ao eleitor, e não aos interesses de partidos ou grupos políticos.
O Paraná vai às urnas neste domingo sob o impacto de uma decisão que poderá mudar os rumos da disputa pelo Senado.
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