Por que a mídia "marrom" e os Lulopetistas insistem em chamar de FUGA a saída de Flávio Bolsonaro do país?
Por
Taciano Medrado*
Olá caríssimo leitores,
Há uma
velha máxima, supostamente, atribuída ao ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph
Goebbels, segundo a qual uma mentira repetida inúmeras vezes acaba sendo aceita
como verdade. Independentemente das controvérsias históricas em torno dessa
atribuição, a ideia continua atual e ajuda a compreender como a escolha das
palavras pode influenciar a percepção da opinião pública.
No
Brasil, o debate político frequentemente ultrapassa os limites da divergência
democrática e se transforma em uma disputa pelo controle da narrativa. É nesse
contexto que a saída do senador Flávio Bolsonaro do país, com destino aos
Estados Unidos, passou a ser descrita por setores da imprensa e por adversários
políticos como uma suposta fuga.
Mas cabe
uma pergunta objetiva: sair do Brasil, por decisão própria, significa
necessariamente fugir?
A
resposta é NÃO.
O termo fuga
carrega um significado específico. No uso comum, remete à tentativa de escapar
de uma situação, de uma responsabilização ou de uma autoridade. Portanto,
quando um veículo de comunicação utiliza essa palavra para descrever a saída de
uma figura pública do território nacional, que não estar sequer respondendo a nenhum inquérito na justiça, e que por uma ato de precipitação injustificada de um magistrada da Suprema Corte do pais, não está apenas informando um
deslocamento geográfico: está atribuindo à conduta um sentido que pode sugerir
culpa, medo ou tentativa de escapar de consequências. O que é não é caso do Senador Flávio Bolsonaro.
E é
justamente aí que reside o problema.
Jornalismo
não é tribunal
A
imprensa tem o direito, e o dever, de investigar, questionar e criticar
políticos de qualquer corrente ideológica. O que não deveria fazer é se vestir de justiça e transformar uma interpretação em fato consumado, sobretudo quando a escolha de
uma palavra pode induzir o leitor a uma conclusão que ainda depende de
comprovação.
Se Flávio
Bolsonaro deixou o Brasil voluntariamente, a informação objetiva é que ele
viajou ou saiu do país. Para afirmar que houve fuga, é necessário apresentar
elementos concretos que sustentem essa caracterização, como circunstâncias
documentadas que indiquem uma tentativa de escapar de uma obrigação legal ou de
uma medida das autoridades, e não através de ilações infundadas e irresponsáveis de alguns jornalistas e veículos tendenciosos e parciais.
Sem essa
demonstração, o termo pode funcionar mais como instrumento de disputa política
do que como descrição rigorosa dos fatos.
Isso não
significa blindar Flávio Bolsonaro de críticas, tampouco impedir que
jornalistas questionem os motivos da viagem, sua duração, seus objetivos ou
suas possíveis consequências políticas e jurídicas. Significa apenas exigir que
o mesmo rigor aplicado a adversários seja observado quando o personagem
pertence ao campo político de que determinada redação discorda.
Dois
pesos e duas medidas?
A
credibilidade da imprensa depende, entre outros fatores, da coerência de seus
critérios. Quando uma viagem de um político conservador é apresentada
imediatamente como fuga, enquanto situações semelhantes envolvendo personagens
de outras correntes ideológicas recebem tratamento mais brando, é legítimo
questionar se existe uma diferença de critérios editoriais.
A questão
não é exigir que a imprensa seja favorável à direita ou à esquerda. É cobrar
que seja fiel aos fatos, independentemente de quem esteja no centro da notícia, é cumprir com o juramento profissional da imparcialidade.
O
jornalismo pode ser crítico sem ser acusatório. Pode ser incisivo sem
distorcer. E pode investigar uma figura pública sem antecipar conclusões que
cabem às autoridades competentes estabelecer.
A
repetição não transforma interpretação em verdade
O
problema das narrativas políticas é que, quando um rótulo passa a ser repetido
sistematicamente, parte do público pode incorporá-lo sem questionar sua origem
ou sua fundamentação.
A palavra
é repetida nas manchetes, reproduzida nos comentários e incorporada aos
discursos dos adversários de forma massiva levando aos poucos, a uma interpretação de fato estabelecido, mesmo quando as evidências disponíveis não autorizam uma
conclusão tão categórica.
É assim
que o debate público perde qualidade: a análise cede espaço ao rótulo; a
investigação, ao julgamento antecipado; e a informação, à disputa pela
narrativa.
Mas a
responsabilidade não é exclusiva da imprensa. Políticos, influenciadores,
militantes e usuários das redes sociais também contribuem para esse ambiente
quando reproduzem acusações sem verificar sua procedência.
A melhor
defesa contra a manipulação não é substituir uma narrativa por outra, mas
exigir evidências, contextualização e critérios iguais para todos.
O
direito de ir e vir não depende de ideologia
Em uma
democracia, o direito de ir e vir é uma garantia constitucional, sujeita às
restrições legais aplicáveis a cada situação e no caso de Flávio e sua família exercer esse direito. A sua saída do país não
constitui, por si só, prova de culpa ou de intenção de escapar da Justiça.
Se houver
alguma investigação, medida judicial ou obrigação legal relacionada ao caso, os
fatos precisam ser apresentados com clareza e respeitado o principio da presunção da inocência. Se tivesse havido impedimento legal à
viagem, o Senador como legislador e conhecedor das leis jamais se furtaria a ficar no pais e responder atraves dos seus advogados.
O que não
se pode admitir é que a simples utilização de uma palavra carregada de
significado político substitua a apresentação das provas.
Criticar
Flávio Bolsonaro é legítimo. Questionar sua viagem também. Transformar uma
suspeita em certeza, sem demonstrar os fatos que a sustentam, é outra história.
A verdade não tem lado
O Brasil
precisa de uma imprensa livre, plural e independente, capaz de fiscalizar o
poder sem se transformar em instrumento de partidos ou grupos políticos.
Precisa, igualmente, de leitores dispostos a desconfiar de narrativas prontas,
inclusive daquelas que confirmam suas próprias convicções.
A palavra
fuga não deve ser proibida do vocabulário jornalístico. Deve, isso sim,
ser empregada com responsabilidade e fundamentação.
Se
existem provas de que alguém tentou escapar de uma obrigação legal, que sejam
apresentadas. Se existem apenas questionamentos sobre os motivos de uma viagem,
que sejam tratados como questionamentos, e não como conclusões definitivas.
Afinal, uma
palavra repetida pode influenciar a opinião pública, mas não substitui a prova.
E uma narrativa, por mais vezes que seja reproduzida, não se transforma
automaticamente em verdade.
No
jornalismo sério, a régua deve ser a mesma para todos: direita ou esquerda,
situação ou oposição. Porque a credibilidade não nasce da conveniência
ideológica, mas do compromisso com os fatos.
TMNews
do Vale — Informação que aproxima, com credibilidade e sem meias verdades.


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