Por Taciano Medrado*
No intricado jogo político de Juazeiro, cada movimento tem peso, cálculo e consequência. E quando o Partido dos Trabalhadores (PT) decide retirar o MDB de sua articulação majoritária, não se trata apenas de uma mudança de estratégia, é um xeque colocado sobre o tabuleiro local.
A decisão escancara uma realidade cada vez mais evidente: o PT está disposto a redesenhar alianças, mesmo que isso signifique romper pontes tradicionais. Em nível nacional, o discurso agora ganha contornos mais claros e oficiais.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, passou a admitir que PSD e MDB devem ficar de fora da aliança pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no pleito deste ano. O dirigente petista, que integra justamente a ala que defendia a ampliação do palanque, reconheceu que MDB e PSD não devem compor a aliança nacional.
Ou seja, o que antes era tratado como ajuste pontual, agora se consolida como diretriz política. E quando Brasília fala, os municípios escutam, e sentem.
Em Juazeiro, o impacto é direto. Sem o MDB na equação, o prefeito Andrei Gonçalves passa a caminhar em terreno instável. A sustentação política, antes ancorada em uma base mais ampla, começa a apresentar rachaduras visíveis. A pergunta que ecoa nos bastidores é inevitável: haverá recomposição ou isolamento?
O movimento petista pode até ser estratégico sob a ótica eleitoral, mas carrega um risco evidente, o de fragmentar ainda mais o campo aliado. Em vez de unidade, o que se desenha é um cenário de disputas internas, vaidades expostas e projetos pessoais sobrepondo-se ao interesse coletivo.
Para o prefeito, o desafio é duplo: manter governabilidade em meio ao ruído político e, ao mesmo tempo, reposicionar-se dentro desse novo arranjo. Permanecer alinhado ao PT pode significar submissão a uma nova lógica de poder. Romper, por outro lado, exige coragem, e capital político que talvez já esteja em desgaste.
Enquanto isso, a população segue assistindo ao jogo, um jogo que, muitas vezes, parece distante das reais necessidades da cidade: ruas abandonadas, serviços precários e promessas que insistem em não sair do papel.
No fim das contas, o tabuleiro segue sendo reorganizado. Mas fica a dúvida: quem está, de fato, jogando para vencer, e quem apenas tenta não ser derrubado?
E por fim, a pergunta que não quer calar: como ficará a relação interna do prefeito Andrei (MDB) com seu vice Tiano Félix (PT)? Alinhamento estratégico ou convivência forçada sob tensão permanente?
Em Juazeiro, a política segue como no xadrez: não basta mover peças. É preciso estratégia, timing e, sobretudo, responsabilidade, porque, diferente do jogo, quem paga o preço não são os jogadores, mas a população.
(*) Redator chefe e analista político
Não
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