ADEUS TOFOLLI?


Por João Chaves*

Nas minhas reflexões e comentários mais recentes, eu já chamava atenção para o fato de que estava em curso, e se delineando, o descarte de Toffoli, e  sua cabeça prestes a ser entregue aos leões. Isso ocorre devido ao pesado fardo que o ministro tem se tornado para o sistema, por vários motivos.

Entre eles, destaca-se a grande mágoa de Lula por não ter comparecido ao enterro do irmão, em razão de proibição do ministro. Apesar do pedido de perdão, não aceito pelo presidente, a relação entre ambos nunca foi normalizada.

Com o decorrer e o aprofundamento das investigações do caso Master, vieram também as polêmicas e atrapalhadas decisões tomadas por Toffoli, como o sigilo total do caso, a imposição de peritos escolhidos a dedo por ele e o tempo exíguo concedido à Polícia Federal para investigar um caso tão complexo.

Há ainda a suspeita de que teria sido o autor da gravação e divulgação da reunião secreta dos ministros do STF, episódio que culminou com sua saída da relatoria do caso Master, fato mal explicado, já que ninguém pode ser afastado de uma relatoria se não houver suspeição formal.

Somam-se a isso o reconhecimento, pelo próprio ministro, de que era sócio da empresa familiar Maridit, além da suspensão, por parte de Gilmar Mendes, do acesso ao sigilo fiscal, bancário e telefônico dessa empresa. Fica, então, a pergunta que não quer calar: o que existe nesse sigilo que o povo brasileiro não pode saber? Tal decisão apenas aguçou ainda mais a curiosidade: o que querem esconder?

A situação do caso Master, marcada por tantas decisões polêmicas, acendeu uma luz amarela no Palácio do Planalto, sobretudo pela proximidade visível entre o governo e o STF , evidenciada, inclusive, por declarações do próprio Lula ao afirmar que, sem a Suprema Corte, não conseguiria governar.

Quando veio à tona a audiência concedida pelo presidente a Vorcaro, juntamente com o lobista Guido Mantega e o futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o estrago ficou evidente. Apesar das constantes negativas de que se tratava de um encontro comum com um banqueiro, surge a pergunta inevitável: se assim fosse, por que não constava na agenda oficial?

Diante do impacto negativo, o marqueteiro Sidônio Palmeira, em reunião no Palácio do Planalto, orientou ministros a se afastarem do caso Master, evitarem declarações e promoverem um distanciamento da imagem de proximidade com o STF.

A preocupação se intensificou após pesquisas indicarem que cerca de 60% da população não confia na Suprema Corte, sendo Dias Toffoli apontado como o ministro mais rejeitado — fato que tem causado desconforto entre os demais membros do tribunal.

Diante desse cenário, passou-se a discutir, internamente, a necessidade de “cortar na própria carne” para tentar melhorar a imagem da Corte perante a população. E a conclusão parece óbvia: alguém precisa ser sacrificado.

Imaginem quem será o bode expiatório? Acertou quem cravou: Toffoli.

A medida satisfaz os anseios de Lula e, ao mesmo tempo, tenta recompor a imagem do STF junto à opinião pública.

O sistema não pode perder. Alguém tem que ir para o sacrifício.

(*) Médico e cidadão brasileiro 

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