O deputado Sanderson é autor do projeto que propõe anistia - Foto: Elaine Menke/Agência Câmara © Fornecido por Estadão
O projeto de lei apresentado na última sexta-feira, 30, pelo deputado federal Sanderson (PL-RS) para anistiar todos os ilícitos eleitorais cometidos desde 2016, o que inclui anular a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por abuso de poder, soma até o momento 50 assinaturas registradas no sistema da Câmara. As informações são do Estadão.
Sanderson
apresentará nesta segunda-feira, 3, um requerimento de ampliação da lista de
co-autores do projeto, numa tentativa de angariar forças para acelerar a
tramitação do texto na Câmara. O deputado deseja demonstrar que o campo da
direita está articulado e em condições de fazer a proposta avançar.
“O Parlamento tem o dever de enfrentar temas como o da anistia, proposto por mim e outros 70 parlamentares, de interesse nacional, evitando assim uma injustiça com alguém que em 2 eleições teve 120 milhões de votos e está sendo calado mesmo sem ter praticado crime algum”, disse Sanderson ao Estadão.
Além
dos 50 deputados que já assinaram o projeto, outros 22 manifestaram apoio à
medida, mas ainda não tiveram suas assinaturas juntadas ao texto original em
tramitação. Na próxima quinta-feira, 6, parlamentares do PL farão uma reunião
para discutir o andamento do projeto na Câmara.
Depois
de recolhidas as assinaturas iniciais, os deputados bolsonaristas planejam
apresentar requerimento de urgência para levar o caso diretamente ao plenário
da Câmara. A medida, no entanto, depende do aval do presidente da Casa, Arthur
Lira (PP-AL), que possui a prerrogativa de montar a pauta das votações.
Como
revelou o Estadão, a proposta de anistia de Bolsonaro e outros políticos
começou a ser gestada antes mesmo de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluir o
julgamento que tornou o ex-presidente inelegível até 2030.
Pelo
texto protocolado, Deltan Dallagnol (Podemos-PR), que teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE,
seria também beneficiado pelo projeto, caso ele avance.
O
autor da medida argumenta que cassações de mandato e determinação de
inelegibilidade devem ser decisões soberanas do Congresso. Se prosperar, a
Câmara poderia ter força para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, caso a proposta vá à sanção.
“Crimes
eleitorais não se enquadram nas vedações da anistia”, diz o deputado. Ou seja,
Bolsonaro é alvo de ação na esfera eleitoral e, portanto, pode ser beneficiado.
Para
ele, o julgamento realizado pelo TSE se tratou de uma perseguição ao
ex-presidente e a políticos de direita. Até mesmo parlamentares de partidos da
base do governo Lula, com União Brasil e MDB, assinaram a medida. Um deles é o
deputado federal Rodrigo Valadares (União Brasil -SE), que classifica a decisão
do TSE como “política”.
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