Foto reprodução internet
Por Marta
Se discute, acalorada e
apaixonadamente, se ao cidadão cabe o direito de andar armado. O porte e a
posse de armas transformou-se numa das grandes plataformas políticas de nossos
dias, existindo os que a defendem e aqueles que a criticam.
Os adeptos asseguram que os dias estão extremamente violentos,
impondo ao cidadão de bem proteger sua e a vida de terceiros, pelo que o porte
de armas seria uma conquista constitucional, lhe assegurando o direito de
defender sua existência mediante a eliminação sumária daquele que a
ameaçasse. Argumentam que em quase todas as democracias ocidentais esse direito está
amparado pelas leis vigentes, facultando que haja uma paridade entre aquelas
armas nas mãos do banditismo e os meios de defesa disponíveis para o indivíduo
cumpridor de seus deveres sociais e urbanos.
Já os grupos contrários se posicionam pela eliminação gradual e
posse de armas apenas por aquelas autoridades das forças armadas e defesas do
Estado, fazendo com que em breve os utensílios de ataque escasseiem nas vias
públicas, diminuindo as taxas de homicídios que beiram na atualidade as mesmas
em países em conflitos armados ou guerra declarada.
Seja uma ou outra posição, a problemática não reside nas armas em si,
mas na sua manipulação indevida, amparada pelos grupos que lhe são favoráveis e
fortemente alicerçada na indústria bélica de nossos dias, maior interessada que
ela seja liberada para todos os cidadãos. Mesmo que seja suprimida sua posse e
porte, a clandestinidade criará corredores escuros por onde estas chegarão às
mãos desavisadas e inábeis, fomentando as tragédias de todos os dias.
Ao contrário da premissa evangélica, que foi proposta por Jesus no
amai-vos uns aos outros, estamos adotando o armai-vos uns contra os outros, em
franco extermínio da esperança e da solidariedade, numa sociedade cada vez mais
violenta e divorciada da paz. Armado o ser humano já anda, pois que existem
diversos instrumentos pelos quais se vale para impor-se a terceiros quando seus
caprichos e paixões não são atendidas.
A indiferença equivale a um tiro surdo.
O desamor responde por inúmeros distúrbios sociais e familiares.
A calúnia erigiu-se como mecanismo de destruição da honra alheia.
A agressividade ganhou status de cidadania.
Encurralado
numa sociedade armada e não amada, o amor cambaleia, ferido, encontrando
guarida em poucos corações que o nutrem de valores para pacificar uma
comunidade que ergueu muros ao invés de pontes.
Urgente se faz uma revisão de valores da própria criatura humana,
no exercício do conhece-te a ti mesmo, equacionando-se e reencontrando dentro
de si as matrizes do amor, diluídas no vinagre desses dias tumultuados que
todos estamos atravessando. Necessário amparar as minorias esmagadas por
excesso apenas de deveres, enquanto castas dominantes escravizam o poder ao seu
talante e conveniências, desestruturando o frágil tabuleiro social.
A valorização do indivíduo, sua humanização e
defesa da paz devem se constituir em prioridades na convivência urbana, abrindo
espaços para a construção de uma sociedade sem armas, convertendo canhões em
arados, a incentivar a solidariedade e o pazear em seus mais amplos limites.
Somente assim edificaremos uma civilização cristã e pacífica, onde o amor se
erga como coluna mestra da sustentação de uma convivência harmônica e serena,
antecipando desde já a era nova sem violência pela qual todos ansiamos.
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