Brasil atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas sem sobretaxa em 2026. Para o próximo ano, frigoríficos já planejam antecipar abates e embarques diante da expectativa de esgotar a nova cota em até três meses.
A partir desta quinta-feira (1º), a carne brasileira passa a pagar uma tarifa adicional de 55% para entrar no mercado chinês. Somada ao imposto de 12% que já era aplicado, a cobrança total chega a 67%.
O aumento ocorre porque o Brasil esgotou, na terça-feira (29), a cota de vendas sem a sobretaxa para a China, maior compradora da carne bovina brasileira.
O governo chinês anunciou a tarifa adicional para vários países no fim de 2025 para proteger os seus produtores locais. Segundo as autoridades do país, eles vinham sendo prejudicados pela importação de carne mais barata.
Neste ano, a cota brasileira de vendas sem sobretaxa foi de 1,106 milhão de toneladas. Em 2027, o limite sobe para 1,128 milhão de toneladas, mas deve ser esgotado bem mais cedo, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
“Se for o que estamos esperando, pode haver final da cota em março, mais tardar em abril, o que é muito ruim para todo o setor. Sairemos de três meses de sufoco para seis”, disse ele, em setembro.
A diferença de 2027 em relação a este ano é que o setor pode se preparar com antecedência e acelerar os embarques. A cota deste ano, por exemplo, foi anunciada só no fim de 2025, o que deixou pouco tempo para pecuaristas e frigoríficos se organizarem.
Agora, como eles já sabem quanto poderão vender sem sobretaxa, vão disputar espaço na cota antes mesmo de ela entrar em vigor.
Isso, na verdade, já vem acontecendo. A previsão do setor é que os abates comecem neste mês e os embarques, em novembro, para que a carne chegue à China em janeiro de 2027. A viagem de navio do Brasil à China leva de 40 a 45 dias.
Se as vendas se concentrarem no início de 2027, a tendência é que os negócios entre os dois países percam ritmo no restante do ano. Mas tudo depende também do apetite chinês. Segundo Perosa, os estoques de carne bovina no país estão elevados, assim como a produção de carne suína.
Ou seja, os frigoríficos podem se antecipar para vender, mas ainda não sabem em que ritmo os chineses vão comprar.
Freio veio antes de a cota acabar
A cota do Brasil só foi oficialmente atingida no fim de setembro, mas as exportações começaram a perder ritmo dois meses antes, disse Perosa, que classificou julho, agosto e setembro como meses “duríssimos” para a indústria.
Nesse período, as exportações continuaram em volumes menores para cumprir contratos pontuais já firmados. Com menos vendas para o principal cliente, os frigoríficos precisaram redirecionar a carne para outros mercados e viram suas margens de lucro diminuir.
A queda nas vendas também aperta o caixa dos frigoríficos, já que parte deles usa os pagamentos antecipados dos compradores chineses para cobrir as despesas do dia a dia. Com menos negócios, entra menos dinheiro para manter as operações.
Fonte: G1 - Agro
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