Por: Taciano Medrado*
A política brasileira atravessa um dos períodos mais pobres de sua história quando o debate de ideias é substituído pelo insulto, pela demonização dos adversários e pela tentativa de destruir reputações.
Nesse cenário, pasmem, o presidente do pais, Lula do PT, a quem deveria ter o compromisso moral e ético de promover a paz, a harmonia e a despolarização entre os brasileiros, tem recorrido com frequência a um discurso carregado de agressividade verbal, transformando divergências políticas em ataques pessoais. O episódio em que dirigiu ofensas aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro é mais um capítulo dessa escalada retórica.
Um chefe de Estado deveria ser o primeiro a compreender o peso de suas palavras. A Presidência da República não é um palanque permanente nem uma arena de ressentimentos. Quando Lula utiliza expressões ofensivas contra familiares de adversários políticos, ele contribui para envenenar ainda mais um ambiente já marcado pela intolerância e pela radicalização.
Existe um velho ensinamento popular que continua atual: quando você aponta um dedo para alguém, três apontam de volta para você. A metáfora é simples, mas poderosa. Quem escolhe atacar os filhos dos outros inevitavelmente abre espaço para que os seus próprios filhos também sejam colocados no centro do confronto político e moral.
Os filhos de Lula, goste-se deles ou não, também já foram alvo de investigações, suspeitas, críticas e intensa exposição pública ao longo dos anos. Alguns casos foram arquivados, outros não resultaram em condenações, mas o fato é que a família do presidente não está imune ao escrutínio político e jornalístico. Portanto, ao transformar filhos de adversários em alvo de ataques, Lula legitima uma lógica que pode atingir sua própria família.
O problema vai além da coerência. Trata-se da responsabilidade institucional. O Brasil enfrenta inflação persistente em setores essenciais, dificuldades fiscais, insegurança jurídica, perda de competitividade e uma sociedade profundamente dividida. Espera-se que o presidente concentre sua energia em governar, apresentar resultados e construir pontes, não em aprofundar trincheiras.
A retórica do ódio tem um efeito perverso: ela alimenta a reciprocidade do ódio. Cada agressão gera outra agressão, cada ofensa produz uma resposta ainda mais dura. O resultado é um ciclo de degradação do debate público em que todos perdem, especialmente a população, que continua esperando soluções para problemas concretos.
Lula, que tantas vezes afirmou defender o diálogo e a democracia, deveria ser o primeiro a dar exemplo de autocontenção. A crítica política é legítima, dura e necessária. O ataque pessoal, especialmente envolvendo familiares, apenas empobrece o debate e diminui a autoridade moral de quem o pratica.
A grandeza de um líder não se mede pela violência de suas palavras, mas pela capacidade de enfrentar adversários sem abandonar a civilidade. O veneno destilado contra os filhos dos outros pode até render aplausos momentâneos entre os mais fanáticos, mas cobra um preço alto: destrói a coerência, enfraquece a instituição presidencial e lembra a todos que, na política, nenhum telhado está completamente protegido contra as pedras que se escolhe atirar.
(*) Professor, psicopedagogo e redator-chefe do TMNews do Vale
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