GOVERNO LULA 3 X ENDIVIDAMENTO PÚBLICO


Dívida pública sobe 2,66% em junho e supera R$ 9 trilhões de reais


Por Taciano Medrado*

O governo gastador do Lula 3 do PT  continua ampliando o endividamento do país em ritmo acelerado. Os números divulgados nesta quarta-feira (29) pelo Tesouro Nacional mostram que a Dívida Pública Federal (DPF) saltou de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões em junho, uma alta de 2,66% em apenas um mês. Trata-se de mais um capítulo da escalada dos gastos públicos, que transforma a dívida brasileira em uma bomba fiscal de longo prazo.

O dado chama atenção porque, em maio, a dívida havia ultrapassado pela primeira vez a marca dos R$ 9 trilhões. Apenas um mês depois, o estoque aumentou em R$ 235 bilhões. Embora o Tesouro afirme que o valor ainda está abaixo da projeção do Plano Anual de Financiamento (PAF), que prevê uma dívida entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões até o fim de 2026, o crescimento contínuo revela uma tendência preocupante: o Estado brasileiro gasta muito, arrecada menos do que necessita e financia a diferença por meio de empréstimos.

O principal motor dessa expansão foi a forte emissão de títulos públicos atrelados à Taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano. Em junho, o Tesouro emitiu R$ 149,49 bilhões em títulos da dívida interna, dos quais R$ 102,57 bilhões estavam vinculados aos juros básicos da economia. Como os resgates foram de apenas R$ 6,14 bilhões, o governo aumentou significativamente sua exposição a uma dívida cada vez mais cara.

Além das novas emissões, outro fator pressionou o endividamento: a incorporação de R$ 85,16 bilhões em juros ao estoque da dívida. Em outras palavras, a dívida cresce não apenas porque o governo toma mais dinheiro emprestado, mas também porque os juros elevados aumentam automaticamente o valor que deverá ser pago no futuro.

A composição da dívida também merece atenção. Os títulos atrelados à Selic passaram de 48,99% para 49,32% do total, aproximando-se do limite superior previsto pelo próprio governo. Quanto maior a participação desses papéis, maior a sensibilidade das contas públicas às decisões do Banco Central. Em um cenário de juros elevados, o custo de carregar a dívida torna-se explosivo.

Outro sinal que o mercado observa com cautela é a redução do prazo médio da dívida, que caiu de 4,07 para 4,01 anos. Prazos mais curtos significam que o governo precisa refinanciar seus compromissos com maior frequência, aumentando a dependência das condições do mercado financeiro. Em geral, prazos mais longos refletem maior confiança dos investidores; prazos menores indicam maior cautela.

A participação dos investidores estrangeiros também recuou, passando de 10,14% para 9,95% da dívida interna. Embora fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, tenham contribuído para essa redução, o movimento reforça a percepção de que o ambiente fiscal brasileiro continua gerando incertezas.

É verdade que o chamado “colchão da dívida”, a reserva financeira utilizada para enfrentar períodos de turbulência, aumentou para R$ 1,346 trilhão, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. Essa reserva cobre atualmente 8,33 meses de vencimentos. No entanto, esse aumento decorreu justamente do fato de o governo ter emitido muito mais títulos do que resgatou. Não se trata de geração de riqueza, mas de maior captação de recursos.

Os defensores do governo argumentam que a dívida pública é um instrumento normal de financiamento do Estado. Isso é correto. O problema não é a existência da dívida, mas a velocidade de seu crescimento, a elevada dependência de títulos indexados à Selic e a ausência de um ajuste consistente das contas públicas. Quando o gasto corrente cresce mais rapidamente do que a capacidade de arrecadação e de investimento produtivo, a dívida deixa de ser uma ferramenta de desenvolvimento e passa a ser um mecanismo permanente de financiamento da máquina estatal.

O Brasil entra em um círculo vicioso: gastos elevados pressionam o déficit; o déficit exige mais dívida; a dívida elevada aumenta o custo dos juros; os juros ampliam ainda mais a dívida. Quem paga essa conta é o contribuinte, seja por meio de impostos mais altos, inflação persistente, juros elevados ou menor capacidade de investimento em áreas essenciais.

O governo Lula 3 insiste em ampliar despesas, criar novos compromissos e expandir a atuação do Estado. Enquanto isso, a dívida pública segue rompendo recordes. O risco é que o país caminhe para uma situação em que o crescimento da dívida passe a consumir parcela cada vez maior do orçamento, reduzindo espaço para investimentos, infraestrutura, educação e saúde.

Mais do que um número impressionante, os R$ 9,033 trilhões representam um alerta. A máquina de gastar o dinheiro público continua funcionando a todo vapor, e a conta, mais cedo ou mais tarde, chegará para toda a sociedade brasileira.

(*) Professor de Análise de Investimento, Engenharia Econômica e Economia e redator chefe do TMNews do Vale 

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