ECONOMIA: Mercado já prevê Selic de até 14% com disparada do petróleo

 

Foto ilustração 

Sem resolver todos os estragos causados pela pandemia de covid-19 na inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne na semana que vem com mais bombas no colo. A disparada do petróleo e de outras commodities no mercado internacional por conta da guerra na Ucrânia já colocou as projeções de inflação em marcha e as discussões no governo para amenizar o impacto nos preços de combustíveis podem ser um incômodo a mais para o mercado, especialmente se houver implicações fiscais. As informações são de Thais Barcelos do Estadão.

Por ora, a maioria dos economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast espera que o BC opte por um aumento de 1 ponto porcentual da Selic, de 10,75% para 11,75% ao ano, o que já seria o maior nível em cinco anos. Para os especialistas, é mais provável que o BC estenda o aperto monetário, com o fim do ciclo em torno de 13%, e mantenha o nível elevado por mais tempo do que decida por uma dose mais forte neste momento, pois está avançado no ciclo e já "jogou a tolha" da inflação de 2022. Além do mais, a elevada incerteza sobre a duração e as consequências do conflito no Leste Europeu recomendam cautela.

Mas os especialistas admitem que soluções para combustíveis que aumentem o risco de deterioração fiscal jogam no sentido de mais juros. No mercado de juros futuros, a precificação majoritária para o Copom da semana que vem é de aumento de 1,25 ponto porcentual, a 12%, o que já seria uma desaceleração do ritmo praticado até fevereiro, de 1,5 ponto, como sinalizou o BC na última ata - antes da eclosão da guerra.

No Relatório Focus, a mediana para Selic no fim do ciclo e no término de 2022 ficou em 12,25%, mas a projeção para 2023 subiu de 8% para 8,25% e para 2024, de 7,25% para 7,38%. Já para o IPCA, o índice oficial de inflação, as medianas são de 5,65% para este ano, acima do teto da meta (5,0%), 3,51% para 2023 e 3,10% para 2024, taxas superiores ao alvo central de 3,25% e 3,00%, respectivamente.

"O petróleo já avançou 32% desde o início da guerra e o trigo, 65%. No Brasil, ainda pode faltar fertilizantes. Então, não há dúvida do impacto sobre a inflação. A ação do BC vai depender de quanto vai insistir em colocar rapidamente a inflação na meta em 2023. Este ano é impossível cumprir a meta. Se o BC está olhando para 2023, pode ir com mais calma, com uma alta de 1 ponto e depois esperar um pouco para avaliar", diz Sérgio Werlang, assessor da presidência da FGV e ex-diretor do BC.

Para o economista-chefe da Garde Asset, Daniel Weeks, o BC também deve aumentar a Selic em 1 ponto porcentual na semana que vem, para 11,75%. Em sua avaliação, com a mudança do cenário provocada pela guerra na Ucrânia, o risco maior é de mais altas de 1 ponto do que de um aperto do juro de 1,25 ponto. "Acho que faz sentido ir com cautela até para entender qual é o tamanho do problema."

No fim do ciclo, Weeks, atualmente, projeta 12,75%, mas admite que aumentou bastante a chance do BC ter que ir além deste patamar. "Pode ser acima de 13%. E provavelmente vai demorar mais para cair. Pode ser até perto de 14%. A assimetria está toda para este lado. Qual será o valor do petróleo? US$ 120, US$ 150, US$ 200? Ninguém sabe."

O economista-chefe da Greenbay Investimentos, Flávio Serrano, concorda que a Selic deve subir a 11,75% este mês, até porque a política monetária já "jogou a tolha" de 2022 e está mirando 2023, então não precisa subir o juro tão rapidamente, embora seja necessário combater os efeitos de segunda ordem do choque e ter cuidado com a inércia para o ano que vem. Ele admite, contudo, que as diferentes medidas estudadas pelo governo para amenizar a escalada dos preços do petróleo nas bombas de combustíveis aumentam o risco de um movimento mais forte do BC este mês. "O viés é mais juro ao longo do tempo, mas não muito mais."

Na comunicação, com tantas propostas no radar do Palácio do Planalto - de redução de impostos, subsídios, a congelamento temporário de preços e até decreto de calamidade -, o economista ainda espera que o BC repita o alerta feito no último Copom, de que políticas fiscais com efeitos baixistas sobre a inflação de curto prazo poderiam causar problemas no futuro, via deterioração dos prêmios de risco e das expectativas.

Sobre os próximos passos, Serrano avalia que o BC deve deixar a comunicação em aberto diante da falta de visibilidade do cenário, para comprar tempo. Por ora, a expectativa é de duas altas de 1 ponto, encerrando o ciclo em maio, com 12,75%. "Dada a complexidade do cenário, pode ir mais perto de 13%, eventualmente 13,25% em junho", diz. "Depois, é uma curva que cai mais lentamente."

Na Tendências Consultoria, por ora, o cenário foi mantido em 12,25%, com uma alta de 1 ponto percentual em março e outra de 0,50 ponto percentual em maio. "Mas o risco é naturalmente para cima. O BC deve admitir um quadro de maior incerteza com os efeitos da guerra, deixando as portas abertas para agir conforme o necessário. Lembrando que o foco maior da política monetária já é 2023, este ano é batalha perdida", explica o economista e sócio Silvio Campos Neto.

Já a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, ajustou a aposta para o aumento dos juros básicos no Copom da próxima semana de 1,00 para 1,25 ponto percentual diante da escalada dos preços de commodities. Com a guerra e as indicações desfavoráveis da inflação corrente, o fim do ciclo deve ser mais perto de 13% do que de 12%, conforme sua estimativa de 12,75%.

"Não deve ir muito além disso, uma parte é choque de oferta e já estamos com o teto da meta estourada. O BC já não brigou pelo teto da meta deste ano. Nosso cenário de inflação era 6% antes da guerra, ir a 7% ou 7,5% não vai fazer tanta diferença, já que não cumpriria a meta mesmo. Mas o juro vai demorar mais a cair em 2023."

Na segunda, Damico elevou a projeção para o IPCA em 2022 de 6,0% para 6,80%, ainda sem considerar todo o impacto da alta dos preços de commodities, e manteve 2023 em 4,0%. Para Selic, aumentou a projeção no fim de 2023, de 9,5% para 10,25%. "Segurando por mais tempo consegue combater os efeitos secundários. Mesmo que a guerra acabe amanhã, as commodities vão ceder, mas não voltam para patamar pré-guerra, principalmente as agrícolas."

Para ler mais acesse, www: professortacianomedrado.com

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